Carta de despedida
7/6/09
Não consigo escrever. É sempre assim nestas alturas em que o pensamento parece voar mais rápido do que os dedos conseguem teclar. E nestas alturas fico sentada ao computador, dedos pousados no teclado sem conseguir escrever o que me vai cá dentro.
Depois de algum tempo perdida entre pensamentos de tudo e de nada lá surgem as primeiras palavras que saem em catadupa e me fazem pensar que agora o dificil vai ser parar... E escrevo com uma sofreguidão imensa, como quem se agarra a vida, na tentativa de te conseguir dizer tudo o que tenho para dizer... para que não fiquem palavras guardadas, sentimentos calados, medos escondidos. Carta de despedida ou diário de palavras, chama-lhe o que quiseres, nem eu sei bem o que isto é...
E talvez por isso seja difícil escrever..porque o que sinto é tao contraditório, tao complexo, tao irreal que até para mim, que o sinto, me é dificil definir...e mais..não me quero esquecer de nada..
Vou por partes...
Sempre que chegamos sinto-me compelida a fazer um ponto de paragem. Como se isto fosse um cabo das tormentas ou da boa esperança. Altura de enfrentar um desafio que não sabemos bem o que nos vai trazer e ser assim obrigada a parar de viver para começar a pensar no que foi, no que é e no que pode vir a ser. E é neste momento que as coisas começam a complicar. É aqui que reconheço que é e tem vindo a ser de tal forma significativo, importante e marcante que não consigo, pura e simplesmente, imaginar as coisas de outra forma. E é tudo muito simples: fazes-me incrivelmente feliz, meu amor! E é por isso que sinto receio de que as coisas mudem ou possam mudar. E perguntas tu: mas porque é que haviam de mudar? Porque nós mudamos...e se mudamos juntos, muito mais mudamos separados. Porque nós podemos "parar" mas a vida não "pára".
Á parte do receio, surgem as certezas.
Certeza de que encontrei em ti o que sem saber procurava, certeza de que afinal tu estavas por aí e também me procuravas, certeza de que é este o caminho que quero trilhar, contigo, pela vida fora. Certeza e segurança.
Contigo não fica nada pela metade, tudo é inteiro, tudo é multiplicado, tudo é sonho e tudo é real, tudo ao mesmo tempo. Fomos crescendo e crescendo e sem saber muito bem como chegamos aqui com a certeza de que o amor se multiplica na medida em que é partilhado..e nos partilhamos tanto...
E perguntas novamente, tu que tanto gostas de questionar. Mas porque é que escreves isto aqui? Nem eu sei bem...sei que não o vais ler, plo menos não tão cedo e não a tempo, certamente, do que aí vem. Mas não escrevo para o que leias também...escrevo para mim..para organizar ideias e para saber exactamente o que te quero dizer quanto me abraçar a ti, quando descolarmos do nosso abraço, quando me fores escorregando por entre os dedos, quando a porta se fechar... mas é quando esse momento chegar, que o coração vai bater mais forte, que a garganta se vai fechar e que as palavras só vão sair em forma de lágrimas que não vais entender no momento.
Talvez por isso te escrevo...para que as lágrimas saiam agora e não nessa altura, para que não te assustem ou passem a mensagem errada, para que saibas que é pela felicidade indescritível que proporcionas que elas vão teimar em sair, para que saibas que o que te tudo o que te vou sussurar ao ouvido numa voz tremida é bem real.
Para que quando a porta se fechar e eu me agarrar a almofada, tu vas com o eco do que te disse no ouvido e com o sentimento gravado no coração... para que quando os kilómetros começarem a pesar possamos sorrir assim ao saber que quanto isto tudo passar, é sinal de que passou mais um ano.
Para que saibas ....tudo o que já sabes meu amor...quando nos olhamos assim...
[até já]
escrever para nos mesmos e' sempre a melhor forma de arrumar as ideias :) gostei mesmo *