"Palcos de ballet são cheios de fantasmas, as presenças espectrais de performances e pessoas que passaram, os professores e inspiradores que transpuseram sua arte de geração a geração.
Ao decidir dizer adeus ao Royal Ballet com três performances de Song of the Earth, Darcey Bussell está explicitamente conjurando as sombras.
Sua escolha deste sublime trabalho, ajustada ao ciclo musical de Mahler, é um tributo a seu coreografo, Kenneth MacMillan, o homem cuja morte prematura a privou de um mentor que poderia ter mudado o tipo de bailarina que ela se tornou.
Também acena às influencias de seu coach Donald MacLeary, e de sua chefe Monica Mason, antigos performers dos papeis centrais, e que montaram este revival.
Mas conforme Bussell fica sozinha no palco, corpo inclinado num delicado ângulo, cabeça posicionada, ouvindo atentamente, dando adeus à juventude e beleza, é sua própria sobre que é mais fortemente evocada, imagens transluzentes de uma ballerina que tem polido o palco por 20 anos.
Apesar destes momentos de solitude, Song of the Earth é uma peça para um ensemble, o que parece apropriado para uma bailarina que sempre trabalhou em equipe.
(...)
O que Bussell trouxe foi uma característica pureza de linhas, uma perfeitamente colocada simplicidade de movimentos, uma habilidade de fazer tudo parecer tanto belo quanto bom.
Ela dançou com incomum intensidade e concentração, dotando o mais simples caminhar para trás em pas courru na ponta de extraordinário significado conforme a música fluía ao seu redor, envolvendo-a em sua aceitação da morte.
Conforme o final movimento, ‘The Farewell’ – o adeus -, termina, Os três bailarinos centrais começam uma vagarosa caminhada do fundo a frente do palco, elevando suas pernas como se vagassem sobre água, mãos posicionadas em benção.
E enquanto a cantora entoa canções do renovar da terra ‘forever... forever’, a dança continua perpetuamente. É um maravilhoso jeito de dizer adeus."
Por Sarah Crompton
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muy bonita!