Somos todos um bando de cagões. Eu sou e sei que você, se não é, já foi. A gente olha pro espelho e tem medo de ficar velho. Olha pro lanche e tem medo de ficar gordo. Olha pro outro e tem medo de ficar difícil.
Fui na parada gay e me senti tocado. Achei bonito esse negócio de assumir e encarar de frente (ou de trás). Peitar. Então é com muita coragem que eu assumo: sou um covarde.
É isso mesmo. A atitude mais de macho que uma bicha pode ter é assumir que não é macho. Então acho que a atitude mais corajosa que eu posso ter agora é assumir que não tenho coragem.
Pra nada. Nem pra tirar sangue. Não posso nem ver a seringa que já fico (mais) branco.
Mas assim como as bichonas, não adianta assumir que é homo e não queimar a rosca. Então quero ser um covarde digno. Quero que todos saibam que eu tenho medo de não ser um bom amigo, mas vou ser amigo mesmo assim. Tenho medo de não ser um bom profissional, medo de não ser bom de cama, medo de ficar apaixonado e falar que nem nenem. Medo de ser eu mesmo. Mas vou ser eu mesmo e ponto.
Saí do armário.
Posso finalmente enfiar o rabo entre as pernas com orgulho.
E parar de ter medo de ter medo.
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