Entrevista com Vanessa da Mata
9/19/09
O principal mandamento do jornalista cultural é "Não Tietarás". É preciso separar a pessoa física da jurídica. Nada de tirar fotos com artistas, pedir autógrafo, bajular. Para quem não é do ramo, seria como um repórter de política posar para uma foto ao lado do presidente Lula - depois de entrevistá-lo. Além de manter a ética, exercitar o tal mandamento previne decepções. Tome como exemplo esta entrevista. Com muitas restrições e pouco entusiasmo, a cantora Vanessa da Mata respondeu, por e-mail, a três das cinco perguntas feitas pelo blog de OMI.
blog de OMI - Há, em seu primeiro trabalho, canções como Viagem, com uma sonoridade brejeira, rural até. Algo que eu não encontrava desde os discos de Djavan na década de 80. Depois, nos álbuns "Essa Boneca..." e "Sim", você flertou com ritmos que estavam um pouco à margem da MPB, como valsa, modinhas, reggae e bolero. Para onde vai o som de Vanessa da Mata?
Vanessa da Mata - Essa resposta nem eu tenho... Quem vai me dizer o que acontecerá comigo daqui a um ano? Os discos sofrem consequências das minhas mudanças. Quem sabe poderão voltar ao brejeiro quase rural?
blog de OMI - Você tem um lado compositora tão importante quanto o de cantora. Como é interpretar suas próprias histórias no palco, mostrar sentimentos em praça pública?
Vanessa - As vezes é constrangedor, mas tenho que lidar com isso o tempo todo e fazer com que a cantora deixe nua a compositora no palco, sem constrangimentos. A arte de criar é solitária, íntima e nua. Muitas canções, quando levo pro palco, tendem a me deixar com vergonha e, por isso, eu as escandalizo e as deixo completamente sem (vergonha).
blog de OMI - Seu trabalho tem uma preocupação estética forte (a iniciativa de desenhar seus próprios vestidos, por exemplo). Isso é herança do passado de modelo?
Vanessa - Quando fui modelo, me vestia muito mal... Além de detestar a carreira, achava muito chato conversar com pessoas que só se preocupavam com beleza. Fui gostando de ter o meu próprio estilo. Comprava roupas de renda de vovós em brechós e as transformava quando ninguém pensava em renda. Mas a preocupação estética é uma coisa visual de show. No DVD, por exemplo, o cenário é meu, além do figurino. Neste show a concepção é minha. Desde as luzes dentro das flores até os galhos que já vieram do show do DVD. Minha preocupação cada vez mais é adiantar o espetáculo e deixá-lo esteticamente no meu universo. Desta vez eu consegui entrar em todos os aspectos dele. No próximo, talvez eu também faça o mesmo.
blog de OMI - A crítica musical diz que você é porta-voz de uma safra de cantoras autorais que não precisa se afirmar por meio de um processo de "masculinização" da performance (Céu, Mariana Aydar e Roberta Sá são alguns exemplos). É desconfortável carregar este "título"?
Vanessa - Não quis responder.
blog de OMI - A proposta da Playboy para um ensaio nu é verdadeira?
Vanessa - Não quis responder.
***
O show:
Amanhã (18/09), a partir das 22h, no Floripa Music Hall. Clique aqui para saber mais.
Os músicos:
Gustavo Ruiz (guitarras), Donatinho (teclados), Stephane San Juan (bateria) e Alberto Continentino (contrabaixo).
O provável set list:
Baú
Vermelho
Quando um Homem Tem uma Mangueira no Quintal
Pirraça
Perfume Barato
A Lua e Eu
Ainda Bem
Amado
Fugiu com a Novela
Joãozinho
Eu sou Neguinha
Último Romance
Boa Sorte/Good Luck
Ilegais
Você Vai me Destruir
Não me Deixe Só
Um Dia, um Adeus
Acode
Ai, ai, ai
Galera, fomos selecionados para a votação das 4 bandas INDEPENDENTES que vão tocar no FESTIVAL MAQUINARIA.
Manda seu voto aí e dá essa força que esperamos tocar lá esse ano!! =)
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