3/2/09
"(...) Ana levantava às seis todos os dias (...). Levantava, ia na janela, acendia seu Marlboro e pensava: fumar é pedaço meu. (...) Ana divagava sobre personagens, mas não sabia que era personagem de sua própria trama. Vivia e fazia coisas banais, coisas de Ana, e não pensava que cena após cena, lá estava ela se mostrando ao público. (...) Ana vivia pra si, não para os outros. Era por isso que sofria, não sabia compartilhar suas derrotas e nem ao menos reconhecê-las. Sentia-se tão dona de si, que ninguém interferia em porra nenhuma naquele coração. Era sofrimento próprio, de quando chega a madrugada e fica um silêncio perturbador e ninguém consegue ser feliz. O mundo dormia, ela não. Ficava atordoada, completamente existencialista, sem conseguir sequer pensar em fechar os olhos. (...) Ela era dela, de mais ninguém. (...) Ana mergulhava em si mesma, como se todas as coisas existentes fossem pobres demais para serem apreciadas ou vividas. Tomava Coca Cola sem gás e cantava Nina Simone da forma mais desafinada e feia do universo, mas só ela ouvia. (...) E como mulher que era, como humana que era, Ana se cantava e se engolia e se fumava, como se fosse rara e única. Dedicava tudo a ela mesma. Ana errava e sabia disso. Mas o erro era dela, pra ela, era nela. Então nada mais importava. Ana, Ana, Ana."
Ultimo grito