Ato I, terça-feira.
Acontece algo muito ruim com a pessoa A (doravante mencionada somente como A). A fica sabendo disso nos últimos minutos do expediente e fica bem chateada. Vai embora pensando nisso e automaticamente vê uma forma de tirar proveito da situação: escrever um torpedo para a pessoa B (doravante mencionada somente como B): se houvesse resposta, B ainda valeria a pena. Se não houvesse resposta...
Não houve resposta.
Ato II, quarta-feira.
A remóe os pensamentos: não adianta condenar B sem saber o que realmente se passou. Então A pergunta a B se havia recebido o torpedo. B responde: "sim, recebi, mas não posso ficar respondendo pra não ficar gastando, o celular é da empresa e eu estou quase estourando a quota. Mas foi chato né, o que te aconteceu".
A engole em seco e se fecha em copas. Após o almoço, B sai para uma reunião e A continua remoendo seus pensamentos. A diz: "isso não pode ficar assim!", e passa o resto do dia escrevendo um email para B, mostrando toda a mágoa que estava sentindo.
A envia o email a B e desce para o coquetel do CEO dinamarquês. B desce logo em seguida. Bebem muito A e B. B tenta conversar com A, explicar que não tinha percebido as coisas daquela maneira e mais um monte de coisas que A estava por demais embriagada para se lembrar. B termina a conversa dizendo que conversariam no dia seguinte.
A vai bêbada para o apartamento da amiga e dorme no colo de um garoto do IT da empresa. Isso depois de dançar freneticamente pelo hall de um dos hotéis mais chiques de Sampa.
Ato III, quinta-feira.
A sofre de ressaca e mal consegue abrir os olhos, mas mesmo assim vai trabalhar. B demonstra preocupação, e A o trata bem.
Ato IV, sexta-feira.
O grande diálogo.
B: você ainda me odeia?
A: eu nunca disse que te odiava...
B: pelo email...
A: eu disse que estava magoada, e não que te odiava. São duas coisas completamente diferentes. A gente não se importa com a opinião de quem odeia.
B: Eu sei que você me ama. Só queria saber se ainda está brava.
A: *suspiro* você me magoou muito ao não prestar atenção no que eu estou vivendo, ao não dar impotância para o que eu estou vivendo. Mas por outro lado, eu sei que esse é seu jeito. Como também sei que estou muito carente... não, não estou mais brava com você.
B: se te serve de consolo, eu não presto atenção em nada mesmo. Vou ficar sozinho: sem família, sem amigos e sem namorada.
A: Também não é assim.
B: Vou procurar um psicólogo...
A: Não é pra tanto. Basta prestar atenção nas pessoas que gostam de você. É muito difícil alguém efetivamente gostar da gente hoje em dia.
B: Concordo. Não sei o que fazer. Estou me sentindo muito sozinho.
A: É, é a vida. Mas isso passa. Não fique triste. Não gosto de te ver triste.
B: Então não deveria ter escrito aquele email... eu fiquei muito triste.
A: Você mereceu.
B: Eu sei. Mas estou muito desgostoso.
A: Desgostoso? Se concentra em algo que você gosta...
B: Futebol.
A: Então se mate de jogar futebol!
Ato V, sábado.
Um encontro furtivo no messenger. Troca de palavras e comentários como se nada tivesse acontecido.
Tudo acontece... menos o que A mais quer...
A deveria parar de se embriagar!
B deveria procurar um psciologo e responder os torpedos com seu proprio celular!
A deveria mandar B mais vezes a merda e dormir no colo de mocinhos do IT!
B deveria prestar atenção em A ou estara fadado á solidão!
C diz:
Talvez tudo aconteça menos o que A mais quer porque A fala tudo de tudo menos o que mais quer.
;-)