Além do número oito.
9/30/09
À beira de um olhar está o outro. Ao espelho de si, o que desejam. Ao menino, a responsabilidade da nação. À ela, o desconforto. Para cada partícula, uma outra partícula. Ao que se extende, uma reflexão. Ao que se comprime, as garantias da transcendência. Ao que transcende, a fome. À fome, o saciar. Parece um conto que não acaba nunca. Ao que não acaba, o infinito. Ao infinito, o cansaço. Ao cansaço dedico as leis da física. Para além da física está a inércia. Para além da inércia está o outro. Aos limites do corpo só pode estar outro corpo. À existência, estão os olhos. Para além dos olhos, o que existe. Ao andar, a fala. À fala, o contato. Ao contato estão os pés. Para baixo dos pés está a terra. À terra, o barro. Nós somos feitos de barro e é para ele que voltaremos. Ao barro, o pó. Deus sopra e cria Adão. Das costelas de Adão nasce uma mulher. Da própria costela, o conhecimento. Ao saber, a nudez. À nudez, proteção. Da proteção, o destruir. À agressão, carência. À carência, o pulsar. Atravéz do pulsar, os filhos. Aos filhos, oportunidade. Além do que se pode, Deus. À Ele, preces. Para além das preces está a esperança. Atrás da esperança está o medo. Atrás do medo, coragem. É da coragem que corremos. Para correr, os pés. Quem não tem pé corre com as mãos. Além das mãos está o soco. Além do soco está a dor. À dor, pinto um quadro vermelho. Sangue de humanos é vermelho. A paixão também. Para além da paixão está o amor, e quando falo de amor você pensa em união.
E o assunto esgota.
Esgota como o casamento e esgota como a vida, representada nesse fluir de palavras soltas.