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||Vila Vicentina: um lar para a terceira idade

Vaidosa, uma flor no cabelo que pedia um elogio e o viço que os muitos anos vividos não apagaram. Em sua companhia um mancebo de 80 anos. À sombra de uma mangueira, um simpático e enamorado casal deleitava-se da refrescante brisa. Avistava-se de longe: Afeição, carinho, respeito. Possuídos de ternura, as mãos dadas evidenciavam o orgulho. A troca de olhares, a admiração.
\tSeu Antonio e Dona Maria se conheceram na Vila Vicentina Júlia Freire, onde moram. A Vila é uma instituição filantrópica, que abriga 66 idosos 38 homens e 28 mulheres. Existe em João Pessoa desde 1943, fruto de uma doação da família Júlia Freire, com o objetivo de acolher pessoas necessitadas. Seu patrono Antônio Frederico Osanan levantou a bandeira pela Sociedade São Vicente de Paula, instituição de nível internacional com sede na França - possivelmente a instituição mais antiga a lidar com a prática da caridade, principalmente com o idoso. “Esse é um trabalho muito difícil de ser feito, porque algumas pessoas interpretam a caridade como um desabafo de um sentimento de culpa, ou seja, uma troca de valores ou de comportamentos”, afirma Marilene Barbosa, psicóloga da instituição e membro da Pastoral do Idoso, que desenvolve também alguns trabalhos, palestras e cursos sobre o que é filantropia e voluntariado.
\tCom capacidade para abrigar 70 idosos, estrutura física do asilo é constituída por cinco pavilhões, um administrativo, outro para idosos do sexo masculino, um pavilhão misto, um destinado à enfermaria e o quinto é o pavilhão feminino de aposentos individuais, o mais antigo e que necessita de ampliação. O refeitório, a copa e a cozinha ficam próximos à uma área de lazer construída através de doações.
\tA missa dominical na capela, erguida em 1944 como condição contratual da família Júlia Freire, é uma das atividades mais esperadas. “Para o idoso a espiritualidade é mais aguçada, por ser um momento da vida onde se encontra mais introspectivo, repensando, avaliando o que foi durante toda a vida. Existe dentro da gerontologia capítulos em que se fala sobre essa necessidade inerente ao idoso de se voltar para a espiritualidade”, explica Marilene.
\tEm média, 70% da renda da instituição é proveniente de doações, que conta com a solidariedade da população civil e contribuições assíduas da prefeitura municipal, através da Secretaria de Desenvolvimento Social que envia uma cota mensal assegurando a carne e o pão. A Secretaria de Saúde também tem ajudado através do Centro de Reabilitação do Idoso, que acolhe os internos quando necessitam de consultas médicas e encaminhamento. Marilene afirma que o maior parceiro nessa luta hoje, é o Núcleo Integrado de Estudos e Pesquisa da Terceira Idade (NIETI) da Universidade Federal da Paraíba, estimulando profissionais em andamento, os universitários, a interagirem com essa parcela da comunidade.
\tChamou-nos atenção a insistência de um olhar que nos acompanhava os passos desde que chegamos. Seu Dorgival Barbosa trabalhou muitos anos como jornalista. Mostrou-se generoso, chamou-nos de colegas e gentilmente ofereceu-nos como um mimo, a pérola: “Tem gente que trabalha com espírito de especulação, de ganhar dinheiro, eu fazia parte da imprensa séria.” Com mansidão na voz, o olhar perdido parecia procurar no ar coisas que a memória insistia em não querer ajudar, falou sobre o vício de escrever e que sentia falta de trabalhar interrompidos pelo Alzheimer.
\tO perfil dos idosos tem algumas coisas em comum: a maioria vem de cidades do interior, e busca segurança e companhia.Os idosos da instituição são marcados pela rejeição, pelas perdas e pelo descaso da nossa sociedade. Por isso, serão bem vindas pessoas que levarem alegria, renovação de palavra e estímulo. Implícito na batalha dos envolvidos com esse tipo de caridade existe um desafio maior, o combate à falta de respeito e compromisso com o idoso. Preocupação que revela o pensamento de que o melhor seria se os asilos não precisassem existir.
\tFora a Vila Vicentina Júlia Freire, existem mais alguns lares de abrigos de idosos em João Pessoa, como o Lar da Providência, a AMEM (Associação Metropolitana de Erradicação da Mendicância), a Casa da Vovozinha e a ASPAM (Associação Parceira do Ancião) entre outros.
\tNaquele fim de tarde de sexta, percebemos que só o que havia de velho e enferrujado eram as idéias que fazíamos de instituições desse tipo. Pois há quem trabalhe com seriedade, responsabilidade e dedicação. No entanto, cada sorriso que recebíamos, parecia nos absolver de tal pensamento.
\tSaímos dali preenchidos de um sentimento bondoso, com a certeza de que o que se leva para eles é ínfimo diante do que se leva deles. E manter esse sentimento em desuso pode tornar-nos caducos. O asilo recebe e precisa de doações de alimentos, remédios, cobertores, enfim, toda ajuda possível. Carece especialmente de reparo, atenção e carinho para essas almas adoçadas pelo tempo.





On July 20 2006 15 Views



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Thalita Oliveira On 20/07/2006

ficou muito linda a ft.


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Thalita Oliveira On 20/07/2006

ficou muito linda a ft.


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Laysatula On 20/07/2006

acredita qu ainda não li desde aquele dia?!Leio já já! :B


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Laysatula On 20/07/2006

acredita qu ainda não li desde aquele dia?!Leio já já! :B


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Fotologbloqueado On 20/07/2006

Gostei. :)


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Fotologbloqueado On 20/07/2006

Gostei. :)


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Hitboy On 20/07/2006

Será que viverei tanto assim ?


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Hitboy On 20/07/2006

Será que viverei tanto assim ?


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Ticianneoliveira On 20/07/2006

Materiazinha pro jornal de TREPJ.:)


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Ticianneoliveira On 20/07/2006

Materiazinha pro jornal de TREPJ.:)





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