E Se...?
9/28/08
E aí um dia você levanta e se olha no espelho, ou vê uma foto, ou ouve uma música, ou lê uma poesia, ou simplesmente lembra.
E as lembranças vêm vívidas, e você pode sentir o cheiro, seu coração volta a bater naquele ritmo que há tanto tempo não batia...
E bate uma saudade terrível. Um vontade urgente de voltar ao passado, de fazer o que não foi feito, arrumar o que foi feito.
E você pára e se pergunta: "E se...?"
"E se eu tivesse feito diferente?"
"E se eu não tivesse ido embora?"
"E se eu não tivesse desistido?"
"E se eu tivesse tentado?"
E você quase pode se ver ali, ver outro de si mesmo no lugar em que você estaria "se...".
E aí você nota tudo o que aconteceu, onde você está, e você vê a distância enorme que separa o você real daquele outro você que está onde você estaria. E você tenta entender como as coisas aconteceram, e por que, e se valeu a pena, e se tudo deveria ter sido diferente, e...
E vem uma vontade muito forte de chorar por tudo o que não foi.
Mas em seguida vem o orgulho por tudo o que foi.
Afinal, tudo vale a pena, se a alma não é pequena.
[i]Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes
(Tatuagem, da peça Calabar - Chico Buarque)
Hummmm
E se?!?
E se...
E se tudo fosse diferente...
E se, somente se, eu não tivesse ido...
Mocinha, que saudades repentinas foram essas?!?
Beijos