"Minha mágoa te espera até agora com os lábios, línguas soltas, voz desentalando tudo o que o tempo (e nós mesmos) desarrumou. Tua ausência polui-me tua imagem e a pena injusta depurou-me o ser. As horas desvividas serão nulas; as horas por viver serão repletas de um tempo
infinito de tão seco.
Perdemos, mais que isso: escondemos dentro de um real tão parco o que era tão sublime no desejo. Desejei-te como quem não espera, não ousar compensava as razões da tua falta. E o pior: o outono ainda não passou e já está tudo assim tão longe e frio.
Não olhe a vida pela face do humor de ocasião, mas procure ver além da emoção momentânea. E cuidado com as palavras. As palavras nunca são só palavras. Sim, a boca só obedece ao cérebro, logo, palavras são pensamentos, de momento ou de uma vida. Antes de sair, elas passam pela alma e pelo coração."