Les chansons.
7/9/08
E, depois de muito tempo inativo, volta.
E volta com aquele gosto real, com o cheiro no ar, com a sensação de que está prestes a acontecer, mesmo sabendo que isso não vai acontecer, pelo menos por agora. Mas só a sensação já conforta.
A vontade de ir a Paris outra vez sempre me consumiu desde quando voltei de lá. A capital francesa possui algo tão mágico que vicia - conheço outros viciados igual a mim.
Não sei o que é 'visitar' Paris, ir como turista. Às vezes não deve ter tanta graça assim. Mas ter a sensação de ser Parisiense, viver a rotina que qualquer um vive, tinha um prazer inexplicável.
E tudo voltou por causa de uma música - pop, simples, breguinha - que tocava demais na época. Um colega de trabalho colocou o CD da moça no computador. Eu fechei os olhos por 5 segundos e 11 meses passaram como um raio. Por um momento senti o cheiro do apê pela manhã, quando eu esquentava torradas, comia cereal de chocolate e assistia a um programa de clipes na tv - onde passava a tal música - chamado Fun alguma coisa - 'L'émission que revéille tes voisins' ou algo como 'O programa que acorda seus vizinhos'. Isso era umas 8h da manhã. Lá estavam as últimas novidades do mundo musical, os últimos clipes do momento, etc. De Madonna com seu single 'Music', uma bandinha americana que fazia clipes engraçadinhos e estava começando a estourar - Lê-se Blink 182 -, passando por Christina Aguilera com seu 'Come on over baby' que despertava uma certa excitação no jovem brasileiro de 13 anos, dos Pops americanos às músicas românticas francesas, dos raps afro-francófonos e às duplas marroquinas/argelinas cantando em árabe. Era algo bem misturado. Daqueles MIX que faz bem a qualquer um. Vitamina de mundo mesmo.
O cheiro do metrô era outra coisa que marcou. Depois fui descobrir que todo metrô tinha esse cheiro. Barcelona, São Paulo. Acho que é cheiro de underground mesmo. Mas na época tudo era novidade, tudo era a primeira vez, tudo era um mundo novo a ser descoberto por olhos curiosos de criança. Era quase impossível passar um dia sem pegar um metrô ou um ônibus. Era quase impossível passar uma semana sem ir ao Centre Georges Pompidou para acessar a internet, ver canais de outros países ou ler a revista Veja, pra me sentir um pouquinho mais perto da Pátria-mãe. Era quase impossível não ir ao Bois de Vincennes em um dia ensolarado. Era quase, corrijo, era impossível não se emocionar com a Torre Eiffel cintilando à noite na já cidade luz. Era quase impossível respirar fundo e não sentir aquela coisa de que tudo aquilo parece que foi feito pra você. Paris te faz protagonista de algo que você nem sabe o que é.
Tudo isso foi há 10 anos. O que eu estava fazendo exatamente no dia 9 de julho de 2000? Não sei exatamente. Mas era verão, a cidade estava lotada de turistas, você ouvia mais inglês, italiano e espanhol na rua do que o próprio francês, eventos transbordavam pelas esquinas apertadas e tudo parecia alegre. Provavelmente no dia 9 eu estava indo (ou me preparando para ir) a Valência, Espanha, visitar amigos. A viagem de quase 1000 km de carro até o sul da França, a estadia de 4 dias em uma casa que era fincada em uma montanha de frente pro mar. Do outro lado da casa, um Castelo fincado em outra montanha. Argèles-Sur-Mèr. O trem em Perpignan para Valência, o calor infernal e a vista pro Mediterrâneo. Tudo isso tá aqui, fresco ainda.
E hoje, 10 anos depois, cá estou eu. Em uma agência de intercâmbio, trabalhando para que outras pessoas possam passar pelo mesmo (claro, em contexto e intensidade diferentes). Cercado de mapas e cartazes de países - como se fossem janelas pra ver o mundo -, espero um dia sentir o que eu sentia lá. Enquanto isso me contento com as músicas pops, bregas e mal feitas, mas que estremecem minhas bases.
Au revoir.
Na boa...: TEM tanta graça assim, sim! hehhe
Principalmente porque vc consegue ter, ainda que rapidinho e em menor intensidade, essa sensação de volta: viver a rotina que qualquer um [parisiense, obviamente] vive.
O meu metrô tava lá, passei pela minha casinha, pela minha facul, pela minha loja de macarons, pelo meu 'à emporter' de comida grega favorito, pelo meu Monoprix de dia sim, dia não...
O legal de Paris é que a maioria das coisas ainda tá lá quando vc volta.
Especialmente aquele pedacinho do seu eu-parisiense que vc deixou por lá... reencontrá-lo é muito, mas muito bom.
Milano que me perdoe, mas realmente não tem nada parecido.
Paris is fuckin' Paris, man.