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Pai

No começo dessa semana, um pedaço de mim morreu. E junto com ele se foi parte da felicidade que viria com a realização dos meus maiores sonhos, pois agora há uma pessoa a menos para desfrutar comigo esse tipo de alegria.

Depois de 03 meses de hospital, enfim meu pai descansou, deixando conosco uma saudade ao mesmo tempo triste e doce. Triste porque é saudade. Doce porque são boas lembranças.

Eu não perdi só o meu pai. Perdi um amigo, um irmão, um companheiro. Alguém que me defendia e me apoiava, que me aconselhava e brincava comigo. Que me ensinou a andar de bicicleta quando criança e anos mais tarde chorou quando deixei a proteção de sua casa para fazer a faculdade no interior.

Eu sou meu pai em muitas coisas e me orgulho. Prova disso é que minha mãe constantemente dizia que não tinha uma marido e uma filha, e sim duas crianças. Porque nós éramos crianças alegres perante a vida, sempre fomos!

Perder você sempre foi o maior medo que tive na vida, mesmo sabendo que, pela lógica natural das coisas, isso era inevitável. Mas mesmo com você doente eu nunca perdi as esperanças na sua recuperação. Fiz bem em acreditar, porque você lutou, lutou até o fim, e sua vontade de viver impressionou muita gente.

Te amo, pai. Te amarei sempre. E sou imensamente feliz por ter sido uma filha muito, muito amada por você!

Beijos da sua "pequena", meu querido e eterno menino da porteira nascido em Ouro Fino!

In Memoriam
Luiz Antônio R. Polatto
24/06/1951 ~ 06/09/2010


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O Menino da Porteira
Sérgio Reis
Composição: Teddy Vieira / Luizinho


Toda vez que eu viajava
Pela estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava
A figura de um menino
Que corria abrir a porteira
Depois vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
Que é pra eu ficar ouvindo

Quando a boiada passava
E a poeira ia baixando
Eu jogava uma moeda
Ele saia pulando

Obrigado boiadeiro
Que Deus vá lhe acompanhando
Por este sertão afora
Meu berrante ia tocando

Nos caminhos desta vida
Muito espinho eu encontrei
Mas nenhum caso mais triste
Do que este eu passei

Na minha viagem de volta
Qualquer coisa eu cismei
Vendo a porteira fechada
O menino não avistei

Apeei do meu cavalo
Num ranchinho à beira chão
Vi uma mulher chorando
Quis saber qual a razão

Boiadeiro veio tarde
Veja a cruz no estradão
Quem matou o meu filhinho
Foi um boi sem coração

Lá pra banda de Ouro Fino
Levando gado selvagem
Quando passo na porteira
Até vejo a sua imagem

O seu rangido tão triste
Mais parece uma mensagem
Daquele rosto trigueiro
desejando-me boa viagem

A cruzinha do estradão
Do meu pensamento não sai
Eu já fiz um juramento
Que não esqueço jamais

Nem que o meu gado estoure
Que eu precise ir atrás
Nesse pedaço de chão
Berrante eu não toco mais




On September 08 2010 23 Views




soyokaze

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