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Novas sempre ótimas baladas

O POVO - Somente depois de cinco anos os Titãs voltam a lançar um trabalho de inéditas. Por que a demora?
Sérgio Britto - Há alguns anos, a gente fez um contrato com a Abril Music, que foi vendida para a BMG, que se fundiu com a Sony, e a gente ficou com receito de lançar por gravadoras que não eram exatamente interessadas no nosso trabalho, que a gente tinha caído por razões outras. Ao mesmo tempo, a gente conseguiu projetos de regravação interessantes como o com os Paralamas do Sucesso, que é um disco diferente, a gente toca juntos o tempo inteiro, e isso representou uma coisa bacana. O fato de a gente ter feito tantos discos também é um motivo. É bom parar um pouco pra dar um tempo e voltar com mais vontade e mais frescor.

OP - Sacos Plásticos é o título de uma música. Como foi parar na capa do disco?
Sérgio - A sugestão de virar título foi até minha. Achei muito sugestivo. Bandas como a nossa, de música pop, de rock, vivem um pouco entre o limiar do mero produto de consumo e da arte. Tinha uma brincadeira bacana com isso: sacos também são o símbolo de muita coisa, fazem alusão a uma série de temas como o consumismo desenfreado, a degradação do planeta. A arte da capa também veio a partir disso. Esses manequins dão uma leitura interessante, porque são objetos que imitam figuras humanas, é o ser humano transformado em coisa, exposto numa vitrine.

OP - O disco se anuncia como um trabalho à altura das melhores obras titânicas. Com que outros álbuns você o compararia?
Sérgio - Isso é difícil de falar. Os melhores discos da gente, e não sou eu que tô dizendo, mas os fãs e a crítica, são o Cabeça Dinossauro, Õ Blesq Blom e Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas. Esse (novo) disco recupera um pouco da experimentação desses discos, da diversidade. Tem canções marcantes, melódicas e tem também coisas mais irônicas, sarcásticas. Tudo isso é típico da nossa produção que foi muito feliz durante uma época.

OP - Como foi a experiência de produzir com o Rick Bonadio?
Sérgio - Muito bacana, ele fez o convite pra gente assim que a gente saiu do contrato com a Sony. Ele é muito entusiasmado, acredita que pode reinventar a maneira de vender música. Fora ele ser um produtor de grande nome, não só pelo sucesso de bandas jovens, mas porque fez o acústico do Ira!, o Charlie Brown Jr., Mamonas Assassinas, já é consagrado. No estúdio ele funcionou como um parceiro musical muito bacana, entendeu o espírito do que a gente tava querendo.

OP - Na internet, é fácil encontrar fãs comentando a nova música de trabalho, e alguns chegaram a comparar a faixa Antes de Você com o som do NX Zero. O que você acha disso?
Sérgio - A gente esperava algo assim, até pelo fato de ser produzido pelo Rick. Mas não vejo muito essa relação. É uma música do Paulo (Miklos) que parece com as músicas do Paulo. É como se fosse uma Prova de Amor. De toda forma, acho que o disco não deve ser visto como uma música só, mas como um conjunto de canções, que vinga e funciona muito melhor se você pensar dessa maneira.

OP - Por um lado tem experimentações eletrônicas, por outro tem orquestrações. Como enxerga essa mistura dentro do álbum?
Sérgio - É saudável e até uma marca da gente ter esse tipo de diversidade. Tudo é adequado a cada tipo de composição: tem umas músicas que são rítmicas e vigorosas, e a programação eletrônica entrou muito bem, trouxe um certo frescor; tem umas que são punk rock ou ska, como a própria Sacos Plásticos, tem cara de novidade pra gente; as harmonicamente mais elaboradas ficam com uma roupagem mais adequada ao que elas querem dizer, tudo com o estilo da banda.

OP - Ainda é possível falar de influências com uma banda com quase 30 anos de estrada?
Sérgio - Acho que sempre é possível, porque a gente se influencia por tudo que ouve e o que vê. Mas, no nosso caso, as referências são as nossas mesmo. As mais evidentes, os arranjos de cordas e as eletrônicas, são caminhos que a gente já trilhou. Nesse sentido a gente é um pouco autorreferente, sim.

OP - Outro diferencial do disco é que todos estão tocando. Por que a opção pela formação mais simples?
Sérgio - É uma maneira de recuperar o barato de banda, voltar a tocar todos os instrumentos. A gente tem mais controle estético quando faz dessa maneira, mais com a nossa cara e a nossa marca. A gente tava fazendo os shows só os cinco, e no estúdio arranjar assim. Pra gente isso resulta numa coisa prazerosa, a gente tem um barato novo, uma novidade, um novo desafio.

OP - A turnê já tem data prevista para começar?
Sérgio - A data da estreia da turnê é dia 18 de setembro, em São Paulo. Os shows vão ser só com os cinco tocando, as programações e tudo mais. O disco já tá nas lojas, e o clipe deve começar a rodar semana que vem.

Trecho da reportagem por Alinne Rodrigues disponível em: <a href="http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/883781.html" rel="nofollow noindex external">http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/883781.html</a>

Foto: Silmara




On June 09 2009 4 Views



Avatar monte__castelo

Monte__castelo On 12/06/2009

fofooooo!


Avatar arnaldo_antunes

Arnaldo_antunes On 10/06/2009

adoro essa cara de nojo dele!
e a Gazeta daqui de Curitiba plagiou a entrevista... mundinho hein?


Avatar adrygavin

Adrygavin On 09/06/2009

Adorei a foto e as palavras do Britto na entrevista...




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