Adeus papaizinho... =~
6/13/08
Hoje (13/06/2008) esta fazendo um mês que o senhor partiu. TODO dia eu penso em você, em todos os momentos alegres que vivemos juntos, todos os seus sábios conselhos, todas as suas piadas, todas as suas gracinhas, o seu jeito doce e carinhoso ao falar, como o senhor está fazendo falta pai... Quando eu era pequeno o senhor cuidava de mim, porém quando cresci e o senhor ficou debilitado era eu um dos que cuidava de você, todas as vezes que eu levava água, media sua pressão, quantas noites eu chorei orando para o senhor melhorar, e eu acredito que o senhor está melhor agora, está olhando por toda a nossa família e junto a Deus dando conforto aos nossos corações. É tão difícil falar sobre você sem que as lágrimas caiam de meus olhos, ai paizinho... quanta saudades que eu estou... esse um mês parece anos... como eu queria que você tivesse aqui do meu lado me fazendo cafuné, me dando um beijo de boa noite, puxando os dedos do meu pé ate estalarem, vindo no meu quarto de madrugada para ver se eu estava passando frio, passando no meu serviço somente para dar um OI, ou vindo brigar comigo para baixar o volume da música para que você pudesse assistir ao jogo, ou simplesmente abrindo a porta do meu quarto e ficar me olhando com o maior orgulho enquanto eu estudava ou estava tocando contrabaixo, eu lembro que sempre que alguma coisa quebrava você pedia para eu dar uma olhada para ver se conseguia arrumar e quando não conseguia você vinha me dava um beijo e falava para ir dormir que no outro dia, com mais calma, eu ia conseguir arrumar, você sempre tinha razão. Lembro de uma vez que eu ganhei uns carrinhos e o eixo de um caminhãozinho estava encaixado errado e você foi lá e concertou para mim, lembro das linhas de pipa que eu pegava em São Paulo, todas emboladas, e o senhor desembolava tudo e sem dar nó em nada, lembro quando ia o Ricardo, você e eu jogar futebol no campinho e você dava aqueles chutes fortes que a bola quando encontrava uma “camada de ar” fazia o “shiiiiiiii” e eu achava aquilo o máximo. Lembra quando você chegava do seu serviço e eu fingia estar dormindo? Você falava que ia no shopping e eu acordava na hora ou você mostrava aqueles sanduíches que trazia do seu serviço e que eu adorava... ate hoje sinto o gosto daqueles dias, o seu cheiro, a sua voz, a sua imagem, a sua vida material acabou por aqui, mais as suas lembranças NUNCA serão esquecidas, como eu queria ter sido um filho melhor, ter te dado mais orgulho, poder ter feito uma faculdade e ter te dado uma condição de vida melhor... Queria tanto voltar no tempo e poder ter me dedicado mais a você, ter brigado menos, ter te honrado muito mais, ter cuidado melhor de você, ter feito o senhor mais feliz, queria tanto poder te falar mais uma vez o quanto eu AMO VOCÊ, queria tanto ter te dado um neto, você gostava tanto que te chamassem de vozinho, você era tão querido, sempre amoroso e com um doce sorriso... sempre me tratou tão bem, me deu tanto carinho, nesse último mês parecia que você já sabia que iria partir, tanto carinho distribuído aqui em casa, tanto comigo como com a mãe e com o Ricardo, lembra na época que eu soltava pipa? Ficava eu e o senhor sentados na varanda só olhando para cima para ver as pipas sendo cortadas e quando eu ia atras você sempre pedia para que eu tomasse muito cuidado, lembro das vezes que o senhor nos levou no estádio para ver os jogos do Galo Maringá, porém por condição financeira limitada nossos jogos acabaram, lembro de todas aquelas vezes que jogávamos bola no quintal, eu sempre no gol e o senhor sempre jogando aquelas bolas difíceis de agarrar. Depois do seu primeiro AVC tudo mudou, o senhor ficou limitado, muitas coisas não pode mais fazer, lembro do senhor todo dia após lavar a louça do almoço ficar sentado na área agradando os cachorros e desmanchando alguma costura que a mãe ou eu ou o Ricardo fazíamos errada, lembro de todas as vezes que tentei assistir o DVD do Metallica – Cliff Em All e o senhor sempre chegava e pedia se podia mudar e eu deixava, claro, ate hoje eu não consegui assistir inteiro e confesso que não quero pois essa é mais uma lembrança que quero manter acesa dentro de mim, aquela fita k7 do Pânico que o senhor vivia ouvindo e depois acabou estragando de tanto ouvir, lembro que baixei o CD para o senhor mais nunca cheguei a gravar, tinha também o CD do Engenheiros do Havaii que o senhor gostava principalmente da música “Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones”, lembro que assim que o senhor saiu do hospital depois do primeiro AVC era perto da Copa do Mundo e eu me endividei até as cuecas para poder comprar uma TV nova, lembra quando a gente ia no centro comprar alguma coisa e você SEMPRE sabia onde tinha um pastel gostoso para comer, o senhor conhecia até os donos das barracas... A gente está sentindo tanta falta do senhor, desse seu jeitinho “tortinho” de andar, de todas as vezes que eu ia estourar pipoca e perguntava se o senhor queria e sempre respondia que não, mas era só
A gente está sentindo tanta falta do senhor, desse seu jeitinho “tortinho” de andar, de todas as vezes que eu ia estourar pipoca e perguntava se o senhor queria e sempre respondia que não, mas era só eu acabar de estourar que o senhor levantava e ia comer conosco, lembro que quando a gente estava almoçando e os cachorros latiam o senhor levantava para ir dar comida para eles interrompendo o seu almoço, sempre que chegava alguém no portão atrás de mim o senhor sempre foi tão simpático no modo de atender, sempre atendeu com carinho as pessoas não se importando quem elas eram e nem os reais motivos ao qual traziam elas ate aqui, o senhor é exemplo de amor a ser seguido, eu sou um dos seus maiores admiradores, se um dia eu tiver filhos espero me espelhar no senhor para dar a eles uma boa criação com muito fundamento e disciplina, até hoje tenho guardado suas últimas palavras escritas, e espero guardar elas para o resto da minha vida junto com a certeza que eu tive o MELHOR PAI DO MUNDO. Creio que se fosse escrever aqui todas as coisas boas que me lembro sobre você ficaria por muito tempo na frente do PC, mas não posso... Em meio a tantas e tantas lágrimas que já me escorreram enquanto eu escrevia esta singela homenagem a você eu me despeço com uma música do Cálix a qual o senhor gostava e já estava ate aprendendo a cantar. Adeus meu paizinho, meu Djidjoh, meu barrigudinho, espero que um dia a gente possa nos encontrar novamente e que esse espaço que morreu de mim volte a ter vida