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A espontaneidade tráz consigo a sinceridade

Quando era criança eu achava que era muito mais divertido eu brincar no meio da chuva. Era uma lamaiada, banho de escorregar, colegas caindo, brincar de represa e o que mais a criatividade bolasse na hora. Saía gripado, lascado e machucado, mas feliz. De alguma forma parecia que brincar na chuva me enchia de coisas boas, isto porquê quando se é criança existem pouqíssimas preocupações, logo não havia muita coisa para descarregar, não havia tanta coisa para a chuva "lavar". Em um efeito reverso ela trazia uma enorme alegria. Quem não brincou na chuva durante a infância, fugiu escondido das tias da escola só para jogar aquele futebol na lama, que faça time de fora!

Hoje me vejo com 22 anos de idade, sem tempo até para dar uma cochilada depois do almoço - o que não é preguiça, é somente um momento de relaxamento: você já está acordado desde as 6 da manhã, está se preparando para a jornada da tarde e posteriormente à da noite.

A chuva de hoje se não for aplicada em sentido figurado não trás alegria e nem lava a alma. Perdeu a graça, não suprimindo sua importância. Entretanto, vemos somente como algo que faz o clima ficar um pouco mais fresco, é extremamente importante para o mundo vegetal, e que nos enche de mau humor se somos pegos de surpresa no meio da rua. Não existe jeito mais fantasioso de se encarar a vida, não existe jeito mais enfeitado e mais leve para resolvermos nossos problemas. Não existe via expressa para a realidade. Esse mundo fantasioso só serve para postergar nossos sonhos, sob a faceta de ser um próprio sonho. É uma falsidade considerada em si mesma.

As decepções aparecem em forma de chuvas torrenciais; os problemas inundam nossas casas; nossa vida vira uma enchente. Não há tempo para socorro, pois o mundo não paralisa para que sequem nossas mágoas: pelo contrário, pois quanto mais se choram tristezas, mais a água se aproxima perto do pescoço.

A hipocrisia, falsidade, corrupção e desonestidade tomam conta do universo, como se essas fossem as grandes virtudes. E o pior: no meio em que vivemos elas simplesmente vêm e nos abraçam, como se amigas fossem, oferecendo a solução para nossas angústias.

O mundo não é bonito, não é belo; a maioria das pessoas não são sinceras e mal conseguem honrar suas palavras; o discurso é vazio, é chato é falso; quase todos aqueles que se mostram preocupados com você fazem somente coisas como se estivessem seguindo um protocolo: "olá, tudo bem?"; "Daria tudo para estar no seu lugar"; "Bola pra frente!"; "Eu me preocupo com você, viu?"; "Estamos juntos nessa!". Bobagem: somente você sente as coisas que sente, que te afetam de forma única em todo o mundo, e ninguém pode se sentir no seu lugar, pelo simples fato de que coisas iguais afetam de forma diferente as pessoas. Você é você e suas circunstâncias; é o seu paradigma; seu forte; sua paz interior; é você e e mais dez de você.

Pois tudo nada é, e o vazio é tudo.

Só para rebater:

Barão Vermelho - O Tempo Não Pára
(Cazuza)

Disparo contra o sol
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara
Cansado de correr
Na direção contrária
Sem pódio de chegada ou beijo de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando uma agulha num palheiro

Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára




On November 18 2008 266 Views






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