NUVENS EM ALMOFADA.
12/9/09
- Ao contrário dos segundos que vão correndo ao mesmo passo que o tempo foge, as nuvens vão permanecendo no céu como se fossem enfeites de Natal. Eu gosto delas, mesmo que por vezes silenciem o tom dourado de sol quente que a minha pele tanto gosta de provar. Há quem não goste das nuvens por serem, muitas das vezes, um presságio de uma tempestade que se aprochega. Mesmo assim, as tempestades também são donas de uma certa beleza, à excepção das que roubam vidas ao mundo. Portanto, pessoalmete, eu gosto delas em praticamente todos os aspectos. Gosto das inúmeras e infinitas formas que vestem em dias diferentes, gosto da dança que fazem no céu quando o vento lhes sopra. Gosto das suas cores, desde o branco até ao cinzento escuro passando pelo tom dourado a compor um pôr do sol que finaliza um dia de Verão ardente. Não sei qual o seu sabor, nem tão pouco a temperatura do seu corpo, mas gosto de me deitar na relva verde, e fotografar mentalmente os seus passos num mundo que vive acima da minha cabeça. Da mesma forma que o papel e uma caneta me limpam a alma quando o coração esta prestes a esfumar-se no ar, as nuvens agem como algodão que suga as feridas e lágrimas do céu para depois, quando esgotadas de suportar tal peso nos seus braços, lançarem em forma de gotas de chuva a água que os céus choraram. A neblina matinal faz-me lembrar pedaços de nuvens finas que se soltaram do seu lugar. Podem ser vistas como a poeira do céu, ou como as pegadas que o voar dos pássaros deixou. É como se fossem as almofadas onde o azul do céu adormece e acorda, ou o berço que embala a chuva ainda não amudurecida. É como se o próprio céu fosse uma folha de papel, e as nuvens fossem parte do seu desenho á mistura com o sol, arco-íris, e lua.
BiancaCastro.
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- Vou deitar-me no chão e sonhar acerca do futuro.