The Cult – Circo Voador – 13.10.08
10/15/08
DIRTY LITTLE ROCK STARS
Por Trevas
Segunda feira à noite. Dia estranho para um show internacional. Mais estranho ainda quando se trata de uma banda do porte do The Cult, tocando em um pulgueiro como o Circo Voador. Obviamente, como de praxe na cidade maravilhosa, os preços não são nada condizentes com (a falta de) conforto da casa de shows...140 cascalhos a inteira, uma piada se considerarmos que o circo parece um galinheiro com palco em anexo!!!
Chego pouco antes do horário do show, cerca de 100 pessoas bebericam e conversam nos arredores dos arcos da Lapa, no meio de mendigos curiosos e larápios oportunistas.
Preocupado, pergunto à simpática moça da bilheteria sobre os ingressos vendidos, ela me diz, sorridente que devia dar umas 1000 pessoas no show, nada mal, pensei.
O calor absurdo fazia com que o movimento nos bares do CV fosse intenso, e qual não foi a minha surpresa quando, por volta de 22:40, após intodução em off, Ian Astbury adentra o palco encapotado por quilos e quilos de couro!!!!????
A banda começa o show sem frescuras, mandando uma seqüência de fazer qualquer fã feliz: “Lil Devil”, “Rain”, Sweet Soul Sister”, “Spiritwalker” e “Edie”!!!O som estava perfeito e a banda soa mais coesa e pesada que nunca. Pudera, além dos fundadores astbury (voz) e Billy Duffy (guitarra), os britânicos são muito bem acessorados por Chris Wyse (um mega baixista), Mike Dimkish (guitarra base) e o assassino profissional John Tempesta (bateria: ex-testament, white Zombie...).
Mr. Duffy puxa então a primeira do novo álbum(Born Into This, um dos melhores de 2007), “Iluminated”, muito bem recebida. Prenúncio de um show perfeito?
Não.
Mr. Astbury, que parecia um filho bastardo de Bob Dylan, mal se mexia no palco...visivelmente contrariado com algo, virava as costas para o público ao fim de cada canção, e no máximo balbuciava um “thank you” ou “obrigado” frios como gelo. E embora o vocalista esteja em boa forma, seu descaso com alguns refrões é nítido, o cara balbucia uma palavra por verso, como se não tivesse mais saco para shows. Uma aula de babaquice e desrespeito com os fãs.
Fãs que vibraram com “Rise”(do subestimado “Beyond Good and Evil”), deliraram com
“Fire Woman”, ficaram surpresos com “The Phoenix” e talvez nem tenham se dado conta de como a letra de “Dirty Little Rock Star”( asegunda do novo álbum a ser tocada, e última, por sinal) casava com a postura de Mr. Astbury. Palmas para o público, um dos mais entusiasmados que vi ultimamente.
A dobradinha “wildflower” e “love removal machine” (sim, aquela chupada de “start me up”, dos Stones)encerram o set normal, com pouco mais de 45 minutos de show.
Depois de um longo tempo, os caras voltam e detonam “nirvana” e “She sells sanctuary”, seu maior hit em terra tupiniquim...
O show termina com a duração cronometrada de uma hora e oito minutos. Ian agradece e apresenta a banda...o público espera, grita, canta...e...nada.
Vaias são ouvidas...uma sensação estranha...set bem escolhido e músicas muito bem executadas, mas ainda assim algo estava errado. Sei que continuarei gostando da banda, enquanto eles forem capazes de produzir cds de qualidade, mas tenho a impressão de que não voltarei a vê-los, ao vivo...até porque me pareceu claro que eles realmente não dão a mínima. Uma pena.
Set list:
Lil’ Devil
Rain
Sweet Soul Sister
SpiritWalker
Edie
Illuminated
Fire Woman
Rise
The Phoenix
Dirty Little Rock Star
Wildflower
Love removal machine
Nirvana
She sells Sanctuary
p.s.: quase dois meses sem postar aqui...mais resenhas engatilhadas: novos do Queen + Paul Rodgers, Motorhead e do Motley Crue !!!!Vou tentar voltar a postar os cds!!!!
huauhahuahua um galinheiro com palco anexo... hahahha boa!
Cara, o que esperar de um estado onde Belo é ídolo e o que mais se ouve é funk?
Por acaso querias um show desses no municipal?
Está fazendo greve de comentários, xibungo?
Abraço