Serviços musicais de utilidade pública

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12/7/05

Eu não nasci no interior de Goiás. Nem no interior do Mato Grosso. Nem mesmo no interior de São Paulo. Eu nasci na capital do Rio Grande do Sul e nunca morei em outro lugar. Então por que eu me emociono ao ouvir guarânias, boleros e baladas que falam sobre a vida no campo? Porque isso é música, amigos. E a música consegue justamente isso, nos tocar mesmo com coisas que não fazem parte da nossa realidade.

E é esse o caso desse disco do Zezé Di Camargo e Luciano, o primeiro deles (e homônimo, como todos), de 1991. A influência de música pop já está presente aqui, mas as referências ao som sertanejo mais puro estão por todo o álbum, o que torna a audição uma experiência para iniciados e apreciadores do estilo e não simplesmente alguém querendo ouvir uma música romântica que toca na novela.

Claro, o começo - e razão principal do sucesso desse trabalho - é com uma música totalmente pop, a famosa "É o Amor", com seus instrumentos também pop, como guitarra, baixo, bateria e teclado. "Eu não vou negar que sou louco por você/Tô maluco pra te ver/Eu não vou negar/Eu não vou negar sem voce tudo é saudade/Você traz felicidade/Eu não vou negar", canta Zezé. A guitarrinha que abre a música é muito boa, principalmente pra quem gosta de hard rock. Uma faixa bem produzida e bem arranjada, pedindo passagem pro sucesso.

"Entre Ele e Eu", como o próprio nome já diz, trata de uma disputa por uma mulher. A batalha acontece através dos versos: "Se ele tem seus beijos, seus carinhos/Também tenho eu/Se ele chora quando está sozinho/Também choro eu", compara Zezé, numa
tentativa desesperada de mostrar que também é merecedor dessa paixão. "Rédeas do Possante" é uma das minhas favoritas. "Cada palmo dessa estrada eu conheço bem/Vou levando minha vida nesse vai e vem", cantam os irmãos Camargo, num dueto de arrepiar. A letra traça um paralelo entre a vida de caminhoneiro e a vida de peão, com muita propriedade: "Minha vida é segurar as rédeas do possante/Lobo da estrada, fera do volante/Louco apaixonado mais um viajante/Minha vida é igualzinha à vida do peão/Também tem saudade do seu coração/Onde vai seu cavalo vai meu caminhão". Belíssima.

"A Estrela Só" é um country, com direito a banjo e tudo. É a famigerada influência da música norte-americana no sertanejo brasileiro. O refrão fala da esperança de encontrar o amor: "Sou, do infinito aquela estrela só/Que no escuro deste céu está/Esperando você chegar/Pra dar luz aos olhos do luar". "Águas Passadas" tem a participação da Fafá de Belém, nessa guarânia pegada. Inclusive, no refrão ela e o Luciano fazem um belo dueto: "E assim eu vou brigando/Com meu próprio ego/Quanto mais eu nego mais você me tem/Tento imaginar meu corpo em outros abraços/Mas em seu lugar eu não vejo ninguém".

"Eu Te Amo" é a versão escrita pelo Roberto Carlos pra "And I Love Her", dos Beatles, Aqui, ela aparece na forma dum bolero espetacular, com um violão inspiradíssimo. "Foi tanto que eu te amei/E não sabia/Que pouco a pouco eu/Eu te perdia/Eu te amo", canta Zezé. No encerramento, a agonia de ainda estar apaixonado, mesmo sabendo que não há esperança de se estar junto: "O tempo já passou/E eu não consigo/Calar meu coração/E às vezes digo: Eu te amo". Que barra... "Quem Sou Eu Sem Ela" é a verdadeira melô do loser. E só quem já passou por uma situação como a da faixa sabe o desespero que bate: "Começa o dia, já foi a noite/E outra vez estou sozinho nesta cama/Peito sufocado, coração magoado/Morto de ciúme, louco de saudade da mulher que amo". O refrão é uma aula de desabafo conformado com a própria condição: "Quem sonha com ela, quem sou eu/Quem sofre por ela, quem sou eu/Quem faz amor com ela não sou eu". LOOOSER.

"Pra Desbotar a Saudade" é uma das mais bonitas do disco, poética mesmo. Tem a participação da Fátima Leão, que também é a compositora da música. "Faço da noite criança/Da estrela esperança/E abajur do luar", começa a letra. "Quando te toco arrepio/Te vejo dormindo parece que vou flutuar/Quando seus braços me apertam/Sua voz me desperta pra eu te amar", canta a Fátima, numa tocante declaração de amor. O refrão usa metafóra pra fazer um pedido desesperado: "Lava esse peito meu/Pra desbotar a saudade/Apaga seu nome na areia/Sem deixar sinal/Apaga seu nome na areia/Sem deixar sinal".

Pra quem gosta de sertanejo mais pop, esse disco tem algumas músicas bem nesse estilo. Pra quem gosta de sertanejo mais de raiz, o álbum tem várias faixas que remetem à música caipira. Pra quem não gosta de música sertaneja, só o que eu tenho a dizer é: meus pêsames. Gostaria que vocês pudessem ouvir esse clássico livres de preconceitos. Mas como sei que isso é difícil, fico por aqui, com a certeza de que fiz a melhor escolha pra fechar o alfabeto e encerrar dignamente esse projeto.

Espero que vocês tenham gostado. Eu curti muito. Obrigado por terem lido e até algum dia.

Guestbook Comments (6)

FODA! FODA! FODA!

Como moradora do interior de Minas e espectadora de rádio local, eu só digo que ZDC&L RULEIAM!

Até breve ;~

Pára!
que coisa horrivel essa foto!!!...q cabelo é esse....

brigado por me lembrar que existe a balada Quem Sou Eu!

Grande Egs, te aconselho o disco do Dois Filhos de Francisco.
Eu comprei e adorei, grandes canções.
Abraços

Minha tia tinha esse vinil...

cd de zeze di camargo e luciano e o amor e lindo de mais e e oltimo de mais

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