Não sou má pessoa, mas tenho o meu grão de egoísmo, e se não sou incapaz de afeições, sei regê-las, moderá-las e sobretudo guiá-las ao meu próprio interesse.
Não escrevo, não falo!- para assim não ser: não foi, não é, não fica sendo! - Sou um personagem do meu tempo, vulgar, mas lógico.
Quando eu era criança, sempre ia ao Bar do Tru (ao lado da casa do Pinga) a fim de pedir balas e outros doces. Ao cabo do percurso, toda a vizinhança repavara minhas tetinhas de fora, acompanhando o buxão de lobó e a calcinha rosa furada. Certo dia, quando o Sicrano acompanhou todo o trajeto, indagou ao Pinga sobre a atividade em questão: - Porque o traje desta garotinha é apenas uma calcinha? Então, apontando para o dono do bar, Edie gatíssimo, respondeu sorrindo: - É que um dia ela foi lá usando a camisa do Bathory e ele tomou o visú dela. Aí, a garotinha cresceu como cresceram suas tetinhas e o buxão. Ela aprendeu o sentido da vida e acostumou com a idéia de que tudo passa: é tudo descartável.