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A LENDA DA RAINHA POTI
Era uma vez, um reino muito distante, ao sul das terras de Dom João. Um lugar mágico com ruas de pedra, casas de terra e o chamego diário do mar. Nesse lugar, por muitos conhecido como Paraíso, reinava a doce e bondosa rainha Poti. Que apesar de doce e bondosa, tinha a sanha de proteger seu povo dos inimigos que porventura surgissem. Isso eu diria, se fosse um escritor.
Poti é uma bicicleta feminina da Caloi, que tem o quadro adaptado para não atrapalhar o desembarque de quem usa saias. Mas é um veículo de batalha, forte, que agüenta trancos e pesos e não tem o conforto das marchas.
Não encontrei uma razão minimamente plausível, mas a cidade de Paraty é infestada de bicicletas Poti. Não é brincadeira, e nem exagero. Existem algumas outras marcas e modelos, mas o excesso chega a assustar. E, mesmo sendo feminina, é usada em igual proporção por ambos os gêneros. Se eu fosse estatístico – eu não sou – diria que oito entre dez biciletas de Paraty são Poti. E em Paraty podem existir, se eu fosse estatístico, umas quinze bicicletas para cada carro. Usa-se muito, e também por isso o reinado de apenas uma marca chama a atenção.
Em um primeiro momento, pensei que seria uma grande promoção. Mas logo descartei esse disparate, visto que as bicicletas são todas de idades diferentes. Algumas muito velhas, de até duas décadas – diria eu, se fosse historiador. E outras estalando de novas, com adesivos modernos e cores vibrantes.
Logo, percebi que Paraty é plana. Daí, diria o inapto geógrafo dentro de mim, tira-se a explicação da ausência de marchas. As pedras e o terreno instável justificam o uso de uma bicicleta mais forte, que não quebra por conta de qualquer impacto. Seguindo as consagradas leis da ergonomia, ciência que desconheço por completo, a Poti oferece ao ciclista o conforto de uma postura que não força a coluna. Isso, é claro, se devidamente ajustada à altura do usuário.
Lembro bem do momento em que mais perto cheguei da verdade. Uma das milhares – será? – de Potis estava carregando um guarda-chuva no lugar da barra que, no design consagrado do veículo, é delicadamente inclinado. Designers fariam análises mais embasadas, mas duvido que fizessem formas tão perfeitas. Aquele guarda-chuva só poderia estar daquele jeito em uma Poti. E em uma cidade que tem chuva quase todos os dias, no fim da tarde, é quase obrigação se pensar nisso.
Quando saía de Paraty, vi um caminhão lotado com um carregamento de bicicletas Poti. Eram caixas de papelão, com a inscrição “Caloi” em vermelho. Se eu fosse um super-herói, nem precisaria usar minha visão de Raio X para advinhar o conteúdo.
Na foto, uma Caloi Poti oficial dos Correios. Sim, o carteiro também tem a dele. Pelo menos esse registro eu fiz. Sem, é claro, o talento de um fotógrafo profissional.
Sou jornalista, mas não perguntei. E cá estou com a beleza inquieta da dúvida.
Poti será a minha bicicleta. Quero uma vermelha ou roxa!
Fomos péssimos jornalistas os dois. Observamos bem mas não apuramos o fato. Ok, desculpa para retornar ao paraíso o mais rápido possível! bj
Já é redundante elogiar seus textos, Rafael.
Mas nunca pensei me emocionar com uma "Poti" antes. Até hoje.
vai ver que numa terra como Paraty, as pessoas ao envelhecerem caminhem numa trilha durante dias até a casa de um senhor místico, meio feiticeiro, meio pajé, meio padre, e lá pedem para ele para q não tenham q abandonar jamais Paraty. Dessa forma, o senhor abençoa o corpo mortal deles e os transforma em bicicletas Poti, assim, não só não deixam Paraty, como percorrem quase todos por suas ruas...
aew mestre se liga....
Coquetel Acapulco no No Capricho Rio! � um evento organizado pela revista Capricho que acontecer� em maio na H�pica, com expectativa de 2 mil pessoas por dia. � de gra�a e a nossa apresenta��o � na sexta-feira, dia 4/5, �s 19h. dividiremos palco com nossos amigos do Cinedisco e Reparem s� que quem fecha a noite � Felipe Dylon
para chega l� degra�a! � s� imprimir o convite em
http://www.nocapricho.com.br
para votar no coquetel para a final do concurso
http://capricho.abril.com.br/hotsites/nocapricho/musica_bandasfin_votar.html
MP3:
http://www.myspace.com/coquetelacapulco
see ya intha streets!!!
e essa luz, e essa luz!?
viva a irresistível poesia emanada pelas bicicletas.
antes das patinetes ladeira abaixo e adro afora, saboreei a gostosa sensação de "andar" sem ter os pés no chão foi em uma bicicleta. e, de carona, na bicicleta de "Seu" Antônio, lá fui eu, Santo Amaro adentro, vendo o casario passar por meus olhos.
bom demais.
voltando ao post, ler o seu texto é tão gostoso quanto andar de bicicleta.
forte abraço.
pois é, mas eu nao tinha fotolog ate semana passada (ta.. to meio atrasada mesmo)...que bom que me achou! te linkarei tb!
so um detalhe: nao sei andar de bicicleta :(
bjss
O trem tá feio! Garganta dóiiiiiiiii!