11/6/09
Tenho que confessar que o remake de “V” não era das minhas estreias mais aguardadas da nova temporada. Até porque as minisséries em que a nova série se baseia, que passaram aqui no Brasil na década de 80, não fazem parte da minha infância, ao contrário da de muita gente. Só há bem pouco tempo, com reprise no TCM, é que pude conferir o 1º capítulo da 1ª minissérie, V - A batalha final. Gostei, especialmente do paralelo que eles fazem dos alienígenas malvados com os nazistas.
Outro motivo de não esperar muito é que a outra grande estreia do canal ABC foi “FlashForward”, que achei absurdamente péssima.
Assim, sem qualquer pretensão de ver algo bom, sentei-me hoje para assistir ao piloto do remake e eis que me surpreendo.
O começo da série segue o da minissérie, mas de uma maneira compilada, com edição mais ágil, como tem sido a opção de praticamente todas as séries atuais. Não acho que tenha atrapalhado muito não, funcionou. A chegada das naves lembra Independence Day, mas a própria série brinca com isso ao sugerir que essa só é a nossa lembrança mais recente, quando mostra dois adolescentes sendo entrevistados e um deles diz: “Nossa, isso é muito Independence Day”, e outro diz: “E vários outros filmes antes né?”
Achei ótima a direção, focando no suspense e no mistério dos alienígenas, não querendo trabalhar de uma vez e de uma forma mais aprofundada os diversos personagens “terráqueos”. Parecem estar querendo fazer isso depois, com calma. Aliás, a atriz que interpreta a Juliet, de Lost, está muito bem num dos papéis principais (que ainda contam com o gostosíssimo Scott Wolf, de O quinteto, lembram?).
A fascinação que os alienígenas exercem sobre a maior parte da humanidade, no original, era um ótimo símbolo para o nacional-socialismo seduzindo o povo germânico. No remake, optaram por trazer outra metáfora: a da religião. A palavra “devoção” é muito mencionada, os alienígenas fazem curas milagrosas, e querem “espalhar a palavra”. Achei uma boa opção, tendo em vista o que o fundamentalismo religioso tem sido uma das maiores causas de violência no mundo de hoje.
As mudanças tanto na estrutura do roteiro, quanto nas atualizações de contextos (como as células terroristas), foram nada menos que perfeitas. A trama é construída num crescendo, até atingirmos grandes revelações nos últimos minutos, encerrando com a promessa para o desenvolvimento da série: a luta contra os alienígenas, que estão em grande vantagem não apenas tecnológica, como de simpatia mundial.
Arrisco a dizer que o piloto não apenas é excelente, como um dos melhores a que já assisti. E olha que eu, viciado que sou, já vi MUITOS. Acerta no ritmo, na apresentação dos personagens e da trama da série. Esperemos que mantenha o nível no decorrer da(s?) temporada(s?).