Notas e mais alguns trocados
10/1/09
Uma vez, conversando com um amigo americano, fui indagado sobre dinheiro. Por incrível que pareça, não foi nada que tivesse respeito à discrepância entre os nossos poderes aquisitivos. Foi mais uma questão sobre a imagem que o dinheiro tem aqui no Brasil.
- Cara, pra vocês brasileiros o carnaval é algo realmente importante, né?
- De certa maneira, sim. É uma festa que faz parte da nossa cultura nacional. Mas porque a pergunta?
- Ah... é que eu tava reparando. Enquanto lá nos EUA as nossas notas são todas verdes e com imagens de figuras importantes da nossa política, as de vocês são todas coloridas e com animais, isso é por causa do carnaval né?
- Na verdade, não. É um incentivo ao tráfico de animais, cada um tem um preço.
Depois de me deliciar por alguns segundos com a reação perplexa de meu amigo estrangeiro, tive que cortar minha felicidade e trazê-lo de volta a realidade.
- Brincadeira, não tem nada a ver com tráfico de animais não. Acredito que o motivo é que todos são animais tipicamente brasileiros, acho que é mais uma inflação da nossa fauna.
- Inflação tipo dinheiro?
- Não, dessa vez inflação tipo aumentar o valor mesmo.
- Valor no mercado negro de animais?
- Não! Valor intangível mesmo.
- Se é intangível como é que tem valor?
- Ah... você entendeu! Mas e o dólar? Qual é a grande importância das figuras atrás das notas?
- Bem, na nota de um dólar é o George Washington, nosso primeiro presidente e herói da independência. Cinco dólares é Abraham Lincoln que foi o presidente que acabou com a escravidão nos EUA e amenizou a crise interna e guerra civil. Dez dólares é Alexander Hamilton, o primeiro secretário do tesouro. Vinte dólares, Andrew Jackson, presidente e fundador do partido democrático. Cinquenta dólares, Ulysses Grant, presidente também, guerra civil também. E finalmente, nota de cem dólares, Benjamin Franklin, inventor e um dos fundadores.
- Realmente, faz sentido. Ah tem umas homenagens nas moedas aqui no Brasil!
- E quem são os homenageados?
- Um centavo, Pedro Alvarez Cabral, descobridor do
Brasil. Cinco centavos, Tiradentes, mártir da independência. Dez centavos, Dom Pedro I, primeiro imperador do Brasil independente. Vinte e cinco centavos, Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil republicano. Cinquenta centavos, Barão de Rio Branco, ministro das relações exteriores.
- Então vocês têm homenagens a pessoas importantes da sua história!
- Aí eu já não sei...
- Como assim?
- Cabral nem brasileiro era e começou uma era de dominação portuguesa. Tiradentes foi o bode expiatório de um movimento elitista e separatista. Dom Pedro I também não era brasileiro e só proclamou a independência porque já era inevitável e era melhor ele no poder, para Portugal, do que "qualquer outro aventureiro". Marechal Deodoro da Fonseca era amigo pessoal do então imperador Dom Pedro II, e foi praticamente obrigado a proclamar república. Rio Branco talvez seja o melhor deles, por isso está na moeda de maior valor, mas de qualquer maneira, ele praticamente fez com que a Bolívia vendesse o Acre a força, por não muito mais do que vale a sua moeda hoje em dia.
- É... e pensar que o dólar que está desvalorizado...
ahahha ótimo
supér
Isto me faz lembrar algumas críticas que nós vivemos/viviamos fazendo quanto a imagem que nos chega da educação dos Estados Unidos. Aquela questão de eles acharem que o Brasil fica logo ali do lado da Espanha. Que só sabem a geografia do próprio país.
Não sei se o que penso é besteira, mas de certa forma eu invejo o sentimento nacionalista que a educação, cultura, sociedade, mesmo em tempos de globalização, mantém sobre a identidade norte-americana.
É claro que isto também colabora com o aparecimento de algumas características xenofóbicas, como é os EU =B, mas dane-se, pelo menos acho que nosso país funcionaria uns 10% melhor.
E eu não responderia melhor sobre o tráfico de animais xD heahaeha