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“QUANTO MAIS SÓ O HOMEM, MAS FÁCIL ACHAR COMPANHIA”...

Este apotegma surge num momento tristemente irônico da obra-prima de Carlos Hugo Christensen, “Viagem aos Seios de Duília” (1964), que vi na manhã de hoje. Na trama, um funcionário público, ao se aposentar, percebe que seus colegas de trabalho – únicas pessoas com quem convivia e a quem concebia como amigos – apenas se aproveitavam de sua placidez, ignorando as suas lamúrias recônditas...

À medida que a trama evolui, o protagonista torna-se cada vez mais cônscio de sua tristeza e, a fim de dar vazão aos seus anseios mais íntimos, resolve voltar para o vilarejo onde crescera e se apaixonara. Mais de quarenta anos se passaram, entretanto, e, ao reencontrar o grande amor abandonado de sua juventude, o que salta aos olhos é a constatação dolorosa de sua solidão.

Nas derradeiras imagens do filme, os cenários rurais e urbanos através dos quais o protagonista caminhou são mostrados esvaziados, taciturnos, solitários como ele próprio. E eu segurava-me para não lacrimejar, perante o belíssimo tema musical merencório de Lírio Panicalli...

A hora de aceitar-se é agora!
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cinema identificação enfrentamento brasilidade solidão melancolia cotidiano

On May 05 2015 at Sergipe, Brazil 42 Views






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