LISBOA DE BOTELHO
[b]Um quadro do Botelho no olhar
É como ver Lisboa dum mirante...
Não há quem se não possa apaixonar
Desta cidade de quem sou amante.
Os telhados, garridos, são um véu
Pintados com o rubro das cerejas
E quase, por milagre, rente ao céu,
Erguem-se as cruzes santas das igrejas.
Depois há ruelas
Vielas, janelas,
Becos do desejo
Enormes calçadas
Quase escorregadas
Pra ir dar ao Tejo.
Depois desce a lua
À rua, vem nua,
Mas não é pecado;
Vê-la é coisa boa...
Inspirar Lisboa
A cantar um fado.
Felizes são os pombos, as gaivotas
E as andorinhas, que do alto miram
Lisboa, que compõe, com poucas notas,
Os versos, que os poetas lhe atiram.
Pintar esta cidade, tão velhinha
Não é estender na tela a cor à toa
É ter alma e bairrismo de alfacinha
Ser Botelho a paleta de Lisboa!!!
Poema: Mário Rainho. 16/11/2011.
Quadro: Carlos Botelho. Lisboa 1969.
Abraço-V()s!!!
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On December 16 2011
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