3/13/06
Hoje de tarde, aqui em casa. Péssimo.
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Atitude
Dessas coisas que a gente vira e mexe fica pensado, essa história de ter atitude é uma das que mais meche comigo. Até mesmo porque, estou sempre perguntando a mim mesmo se não estou agindo como o velho ditado do "Faça como eu digo, mas não faça como eu faço". Ser um observador externo das atitudes do outro é sempre mais cômodo do que ter que tomar as atitudes você mesmo.
É que essa semana eu tive o desprazer de ser condenado pelo meu, digamos, sucesso relativo. Nem todos sabem, é verdade, mas moro em um bairro cheio de contrastes onde a "favela" divide espaço com a classe-média. Nem tão média assim, diga-se de passagem. Na rua, passávamos mais uma daquelas noites conversando nada-com-nada. Jogando papo pro ar. Vez ou outra, como de costume, surgiu um papo dos que me interessam. O assunto era: vida profissional, carreira. Eu acho interessante observar como eu me sinto bem colocado quando a temática é essa. Parece que eu estou realmente adiantado frente a outras pessoas da mesma idade. Mas meu foco aqui não é a minha vida profissional e sim atitude, como um todo. Fulano virou pra mim e começou a comentar do que já tinha feito em sua vida. Não pude deixar de reparar na trajetória de insucesso que o mesmo sustentava. Tal fulano, tem N problemas na voz. Vive em uma família cujo orçamento não é dos mais razoáveis. Reparei em tal fato e tentei ajudar:
- Por que você não vai a Clínica de Fonoaudiologia da Estácio? Se tu corrigisse esses teus problemas na fala ficaria mais fácil de conseguir um emprego melhor.
- Ahh... Muito complicado isso aí. Eu também nem tenho dinheiro.
- Mas é quase de graça. Acho eu que é por volta de 3 ou 4 reais.
- Fácil falar pra ti, que nasceu em berço de ouro.
Devia tê-lo feito, mas não me calei. Fui “obrigado” a emendar "Muito fácil falar dessa maneira, não? Sabes todas as dificuldades que eu já enfrentei? Sabe por tudo que eu já passei? Então tu não ‘deveria’ ficar falando." E deixei que ele pensasse o que quisesse. Na verdade, eu poderia apostar que a Clínica da Estácio o atenderia gratuitamente. Apenas concluí: "Se não for atrás, se não buscar, ninguém vai fazer isso por você." E foi nisto que eu fiquei pensando. Será que muitas vezes eu acabo não usando essa desculpa do "empenho excessivo" ou então a do "muito fácil pra ele que...". Enfim, escrevi tudo isso apenas para ilustrar como, quando colocados em uma situação dificultosa, a nossa vontade e o nosso empenho são exigidos. Atitude é isso. É reclamar da situação que se encontra e tentar modificá-la. Frase batida, certo? "Falar é fácil, difícil é fazer".
liiipee meu amorr
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