Dos narizes vermelhos dos palhaços
6/21/09
Os dias me parecem cada vez mais imprevisíveis. A sutileza entre a situação agradável ou repugnante é tão dependente do ambiente, da companhia e dos humores dos convivas que me sinto sempre tateando em busca da escolha certa, mesmo com meu limitado conhecimento.
Ontem, supreendi-me, tudo arranjou-se tão adequadamente, pareceu algo planejado por meses que se desenrolou suavemente, como uma coreografia ensaiada meses a fio. Julho, dia 15, parto para mais uma de minhas grandes viagens, para as viagens da minha vida, para as quais vou com o objetivo de encontrar o que sempre esteve ao meu lado. É conhecida a frase de T.S. Eliot segundo a qual ao se chegar no final do caminho é possível conhecer o ponto de onde se parte.
Parto com minhas mochilas e minha solidão, um bloco de notas e rudimentos de língua estrangeira. Aguarda-me o inusitado. Já estava, de fato, esfastiado com amada Brasília: tenho tido dias maravilhosos com rostos iguais, e dias melindrosos com rostos diferentes. E o igual a mim não me apraz, para o bem e para o mal.
Na qualidade de lembrete poético, coloco aqui que tenho lido muito Murilo Mendes, em cuja poesia a influência religiosa é bem utilizada. Segundo, releio Dom Casmurro e me impressiono sempre mais com a maestria de M.de Assis, o estilo é arrebatador, a matéria é preciosa e a argúcia irônica provê o tempero perfeito à literatura universal e, ao mesmo tempo, local.
"Procuro o instante em que o Sol se transforma em Lua: a interface entre os narizes vermelhos dos palhaços e a graça da patada do elefante."