CENA DE "VENDAVAL MARAVILHOSO", FILME DE LEITÃO DE BARROS
12/4/09
BASEADO NA BIOGRAFIA ESCRITA POR ALCIDES MURTINHEIRA
Em despacho do próprio primeiro-ministro, António de Oliveira Salazar, o próximo projecto de Leitão de Barros é definido como de utilidade nacional: Camões — Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente (1946) reafirma as qualidades previamente reveladas por Leitão de Barros, embora o tom demasiado majestoso da obra acabe por lhe retirar alguma autenticidade, se bem que os dados biográficos disponíveis sobre o poeta sejam respeitados. A reacção do público fica aquém do esperado, mas a generalidade da crítica da época rende-se à vitalidade técnica e artística de Barros, que decide completar uma trilogia dedicada a vultos da poesia portuguesa (após filmes sobre Bocage e Camões) com uma obra baseada na vida de Castro Alves, o "poeta dos escravos", um dos introdutores do Romantismo na literatura brasileira.
Com apoios em Portugal e no Brasil (então um importante mercado para os filmes portugueses), Leitão de Barros partiu para o Rio de Janeiro com um "trunfo" no elenco: Amália Rodrigues, um nome já conhecido no Brasil, onde gravara os seus primeiros discos, e principal razão dos êxitos de bilheteira dos filmes Capas Negras e Fado — História duma Cantadeira, realizados pouco antes. O projecto chamar-se-á Vendaval Maravilhoso, mas a estreia em Portugal e no Brasil, em fins de 1949, revela-se uma autêntica decepção.
A crítica aponta falhas graves a nível da planificação e de certas soluções cénicas, enquanto o público lamenta que Amália quase não cante. O filme fora dos mais caros de sempre da cinematografia portuguesa e não havia a menor hipótese de se recuperar na bilheteira fosse o que fosse do investimento feito. Leitão de Barros não voltará à longa-metragem e a cooperação cinematográfica entre Portugal e o Brasil tornar-se-á praticamente inexistente.
Os próximos trabalhos de Barros em cinema situar-se-ão no âmbito do documentarismo, sendo em geral feitos por encomenda: A Última Rainha de Portugal (1951), Relíquias Portuguesas no Brasil (1959), Comemorações Henriquinas, A Ponte da Arrábida sobre o Rio Douro, Escolas de Portugal (1962) e A Ponte Salazar sobre o Rio Tejo (1966).
Nos últimos anos de vida retomou com mais assiduidade a actividade jornalística, merecendo destaque as crónicas que assinou sob o título "Corvos", compiladas em volumes ilustrados por João Abel Manta.
Li a biografia de ontem e adorei tbém,quanta ternura nessa cena.
Beijinhos pra vc querido!!!