11/22/09
Que as pessoas enxerguem.
Passei hoje pela vitrine de uma loja e já é Natal. Já é final de ano, já são os preparativos para 2010, que será novo, mas quando chegar já terá cara de velho. O tempo esta acelerado, o dia esta a cada dia menor, deixamos de fazer muitas coisas por falta de tempo, as 24 horas do dia são poucas. Pensávamos que as facilidades das máquinas, da eletrônica, da informática, nos poupariam o desgaste do tempo, pensávamos que teríamos mais tempo, mas perecemos nessa nossa suposição e ao contrario não temos mais tempo.
Um dia desses sai apressado do trabalho, queria chegar logo em casa para atender os cães, colocar água e comida e depois para os gatos, e responder os e-mails e atualizar o fotolog . Vinha pela calçada e de repente dei uma topada numa parte alta e desnivelada do piso. Parei. Olhei a minha volta e as pessoas nem viram o que aconteceu, continuaram seus trajetos, seguiram em frente, no curso do tempo. Nenhuma expressão nos seus rostos, apenas a seqüência das suas importâncias, das suas necessidades, das suas exclusivas vidas. Mudei o ritmo das passadas, agora bem menos aceleradas, mudei o trajeto do caminho que sempre faço, mudei a forma de olhar para o percurso e procurei os detalhes, os detalhes que nos passam despercebidos, tragados pela velocidade do tempo, pelo nosso campo de visão restrito e difuso.
Não corro mais contra o tempo, agora passeio pelo tempo, posso ir e vir, esperar, voltar seguir a diante, no meu tempo. Mudei alguns hábitos, refiz conceitos e me sinto melhor. Tive tempo de lembrar de algo que li, algo escrito por uma grande amiga, a Mirella. Algo que nos fala dessa pressa, dessa velocidade que nos impede de vermos que as coisas que acontecem a nossa volta estão gradativamente nos sufocando, que o mundo como conhecemos pode estar com os momentos contados, por que não damos a devida atenção as coisas que ocorrem bem diante dos nossos olhos, coisas que nem precisavam nos ser ditas, se observasse-mos tudo a nossa volta, ao invés de apenas seguirmos em frente. Que em breve a falta d’agua potável no mundo ceifara a vida de milhares de pessoas, que espécies estão ameaçadas de extinção pelo aquecimento global e os maiores responsáveis pela emissão dos gases poluentes não querem diminuir a sua produção, que a matança de animais indefesos como as focas, golfinhos e baleias continua mesmo diante dos inúmeros apelos de muitas organizações de preservação da vida. Que continua num ritmo frenético o abandono de animais domésticos que perambulam pelas ruas e cidades desse nosso planeta, sujeitos a toda sorte de infortúnios e crueldades. Em frente para onde mesmo?
“Que as pessoas enxerguem a mensagem que cada animal, cada planta, cada ser vivo tem a dizer. A natureza está gritando suas mensagens... até quando? Nosso tempo está acabando... e eu corro contra o tempo.
Corro contra o tempo para fazer as pessoas enxergarem que a vida de um animal não tem menos valor do que a sua ou a minha vida, e que a sua liberdade acaba quando a de outro ser vivo começa....
Corro contra o tempo para mostrar que não se deve jogar lixo na rua, e que traficar animais é crime...
Corro contra o tempo para mostrar que com a mesma intensidade que sacrificas uma vida, amanhã serás sacrificado com a mesma intensidade... nessa ou na próxima vida... e que a mãe Natureza não perdoa...
Corro contra o tempo, o tempo todo”. Mirella Delia
Bom final de semana a todos!! bjs
Pois é, prezado Paulo. Muitos não encontram tempo nem para ler um texto "longo" como este e, se lessem, se identificariam muito com o relato.
Temos um acelerador interno do tempo movido pela ansiedade, pela falta de concentração e por preocupações sem sentido que nos consomem.
Bastaria que cada um se concentrasse em viver, simplesmente viver... Digerindo cada momento com a consciencia de que estamos fazendo a nossa parte.
Me lembro da minha infancia na Rua Oscar Freire em São Paulo (Quem conhece a rua atualmente pode comparar). No verão, as pessoas levavam cadeiras para a frente de casa e os vizinhos conversavam enquanto as crianças brincavam. Não havia ar condicionado e a televisão ficava desligada. Não havia maior espetáculo do que a noite de céu limpo e estrelado.
O que nossas crianças vão recordar sobre suas noites de verão? Que legado de tranquilidade e interação social estas crianças estão levando para seus filhos e netos?
Cabe a nós resgatar as lembranças, os valores e o convívio que imprimem o verdadeiro ritmo ao tempo.
Abraços!!!