pH
10/24/09
Com tinta, linhas, papel reciclado, cores...
com tudo isso eu defendo palavras.
Que eu jamais vou dizer. Quando
eu jamais vou usar trocar
a lágrima ácida que vem do estômago,
pelo sal dos olhos...
pela pele hidratada contra
os trincos desérticos.
Na sua frente, estou terrivelmente
básica.
Mantenho-me calada tentando evitar
inexorável corrosão.
Cedo ou tarde ela estará comigo.
Acendo um incenso,
tinjo meu cabelo de vermelho,
faço de tudo para estar um pouco
mais ELEVADA.
Para alcançar a minha imaginação...
Chegar até aonde o meu sonho místico Deseja.
No meu espelho, o seu rosto é
a metamorfose
de um anjo-demônio - demônio-anjo.
No meu espelho, ainda tenho 16 anos,
e faço uma oração para o destino enquanto
a amônia leva com ela uma parte da minha
inocência, e me deixa loira. Fantasiada.
No meu espelho, ainda tenho 17 anos,
e carrego no rosto a decepção erótica
da castidade recém-maculada;
da virgindade recém-estrangulada.
E nenhuma noite de chuva gelada
poderá confundir-se com essas lágrimas...
Não há nada como esse Inferno
(eu falo do Bege no Bege - não do Vermelho)
Não há nada como esse Paraíso
(eu falo do Azul e dos dias de Loucura)
Com tinta, linhas, desespero e cartas,
escrevo para ninguém, o quanto ninguém me amou,
o quanto eu não amei ninguém, a troca que eu não fiz.
Escrevo sobre o ácido, a base, o sal, a água.
Meu grau de identificaçõa com essas palavras é meio assustador...
E eu estou morrendo de saudade da senhora.
Precisamos conversar. Há coisas que eu quero e preciso te contar. E eu preciso saber de você. :))