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VIÚVAS: Um Exercício Cênico sobre a Ausência

FOTOS DE CLÁUDIO ETGES
A TRIBO DESIGN GRÁFICO

A Mostra 'Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem' edição 2008 começa em agosto com a encenação ŽViúvas: Um Exercício Cênico sobre a AusênciaŽ, adaptação livre da peça de Ariel Dorfman, numa montagem cênica da Oficina para Formação de Atores da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo. A temporada será de 9 a 31 de agosto, sábados às 21 horas e domingos às 20 horas, na Terreira da Tribo (Dr. João Inácio
981 – Navegantes), com entrada franca.

A adaptação da peça ŽViudasŽ, de Ariel Dorfman, foi realizada pelos oficinandos da Escola de Teatro Popular com coordenação de Tânia Farias, Paulo Flores e Clélio Cardoso. ŽViúvas: Um Exercício Cênico sobre a AusênciaŽ mostra mulheres que lutam pelo direito de saber onde estão os homens que desapareceram ou foram mortos pela ditadura civil militar que se instalou em seu país. É uma alegoria sobre o que aconteceu nas últimas décadas na América Latina, e a necessidade de manter viva a memória deste tempo de horror, para que não volte mais a acontecer.

A história de ŽViúvasŽ se desenrola em um povoado chamado Camacho, e começa nas margens do rio, onde se encontram mulheres lavando. Todos os homens do vale foram presos e estão ŽdesaparecidosŽ. Os únicos homens que restam são um menino que não sabe falar e Alexis, um adolescente, neto de Sofia. O próprio autor é um dos personagens que assiste no exílio toda tragédia que acontece no seu país. Um dia as mulheres descobrem um cadáver trazido pelo rio. Ainda que o rosto do morto esteja irreconhecível, a velha Sofia Fuentes está segura que se trata de seu pai, desaparecido há muito tempo. Ela pede ao novo Capitão, que acaba de chegar ao povoado com a missão de trazer a reconciliação e novas regras para a democratização do país, que lhe dê a permissão para enterrar o seu morto. O Capitão, instigado pelo Tenente, se nega a conceder o que lhe pede a mulher: se admitir que o cadáver pertença ao pai de Sofia, haveria uma investigação que revelaria como os militares acabaram com todos os homens do vale. Mas, em seguida, o rio traz outro cadáver, e Sofia reconhece nele seu marido. Sua firmeza incentiva as outras mulheres a também quererem
enterrar os corpos que elas acreditam serem dos homens de suas
próprias famílias. Esses corpos que representam todos os homens do vale e que se identificam entre si, são um personagem coletivo que se eleva a símbolo único da dor. O Capitão, então, prende o jovem Alexis para poder chantagear Sofia: se não deixar de incitar as mulheres, também seu neto desaparecerá para sempre. Mas como Sofia não desistiu, o Capitão, depois de prender o jovem, ordena o exército a disparar
contra as mulheres. O menino que não fala se converte assim na
esperança que a memória não se apague, para que algum dia se conheça a verdade e que possa haver justiça.

A peça de teatro Viúvas, de Ariel Dorfman, é uma adaptação do romance de mesmo título escrito pelo autor em 1981, oito anos após o golpe civil militar no Chile que levou o General Pinochet ao poder. Dorfman, exilado, escreve esta obra que denunciando a ditadura de seu país e, sobretudo, o desaparecimento de milhares de adversários políticos do regime.

Na teatralização da obra, com a qual contribuiu o dramaturgo americano Tony Kushner, o autor ambienta a história em um país indeterminado da America Latina. O acontecimento principal da peça, a descoberta dos cadáveres, faz referencia a um caso especifico do Chile, oficializado apenas em 1999, quando o Arquivo Nacional de Segurança difundiu os primeiros 5800 documentos referentes aos anos da ditadura Pinochet. Um
deles era um telegrama datado de 24 de setembro de 1973 – 13 dias depois do golpe – enviado pelo escritório da CIA em Santiago para o diretório central em Washington informando que naqueles últimos 4 dias tinham sido encontrados 27 cadáveres no rio Mapocho, e que alguns apresentavam sinais de tortura e mutilações. No entanto o aparecimento de cadáveres em rios da maneira descrita na peça não foi um privilégio da ditadura chilena, é uma medida de diversas ditaduras que ocorreram
em todo o mundo. Ariel Dorfman nasceu na Argentina, em 1942.
Naturalizado chileno, participou do governo de Salvador Allende e
exilou-se em 1973. É professor de literatura e estudos latino-americanos na Duke University, em Carolina do Norte. Co-autor
de Para Ler o Pato Donald, publicou no Brasil, entre outros livros, O Longo Adeus a Pinochet, a autobiografia Uma Vida em Trânsito e a peça A Morte e a Donzela, traduzida em quarenta línguas, montada em noventa países (em Porto Alegre foi encenada em 1997 pela Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz) e filmada, em 1994, por Roman Polanski.

'Ói Nóis Aqui Traveiz: Jogos de Aprendizagem' é uma mostra do processo pedagógico colocado em prática pela Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo através das encenações teatrais criadas neste ano nas oficinas coordenadas pelos atuadores da Tribo. A Mostra 2008, que tem




On July 29 2008 8 Views




oinois

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