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Nem só mulheres sofrem com o câncer de mama

Os números de casos mostram-se bastante inferiores quando comparados, mas o câncer de mama tem efeitos mais devastadores nos homens do que nas mulheres. Não há engano na afirmação: a mama dos homens também pode ser acometida por câncer. Para se ter uma idéia, a incidência da doença no universo masculino é dez vezes menor do que no feminino, mas seu tratamento descarta intervenções cirúrgicas parciais, informa um especialista. Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde para controle e prevenção, apontam 4 mil casos entre homens, ante 40 mil entre mulheres este ano no Brasil.

"No homem, o tratamento começa pela mastectomia radical (a retirada de todo o tecido mamário)", relata o médico Edison Mantovani Barbosa, coordenador do Departamento de Mastologia do Instituto Brasileiro de Controle de Câncer (IBCC), em São Paulo. Segundo Barbosa, em muitos casos de câncer de mama feminino é possível uma cirurgia conservadora. "A mulher tem uma estrutura glandular maior e o tumor nem sempre é tão invasivo quanto nos homens." Ele explica que um tumor de dois centímetros no homem fica muito próximo de várias áreas que oferecem risco de metástase - a disseminação do tumor.

Se o tumor atingir os vasos linfáticos, é passível de se espalhar rapidamente pelo organismo. "Isso ocorre também nas mulheres, mas a maior quantidade de tecido mamário adia um pouco essa possibilidade. No homem, com a quantidade limitada de tecido para atravessar, essa invasão é mais rápida."

Diagnóstico e exames

Em compensação, o diagnóstico precoce nos homens é mais simples do que nas mulheres. Por ter pouco tecido mamário, é fácil detectar o surgimento de uma anormalidade. Visualmente, o tumor só é notado em estágios avançados, mas em fases iniciais pode ser percebido pelo toque, por exemplo, apalpando-se a área durante o banho. Não é necessário, entretanto, um auto-exame complexo como se recomenda para as mulheres.

Se localizar um nódulo de qualquer tamanho, doloroso ou não, o homem deve procurar um especialista o mais rápido possível. "A partir daí vamos examinar detalhadamente e determinar se é um nódulo cancerígeno ou só o resultado de um pequeno trauma", diz Barbosa.

Exames preventivos como a mamografia, comum para mulheres, não são feitos de forma rotineira em homens por causa do baixo número de casos. "Não é razoável examinar 100 pacientes para encontrar um caso, o ônus para o sistema de saúde seria muito grande", justifica. E os exames de sangue ainda não chegaram a um nível de confiabilidade iguais aos usados para identificar outros tipos de câncer. "O PSA, usado para diagnosticar câncer de próstata, é um exame confiável. Mas não temos técnica laboratorial similar tão confiável para a detecção do câncer de mama", esclarece o mastologista.

Outra dificuldade no diagnóstico do câncer de mama em homens está no histórico familiar. Como o número de casos é reduzido, essa pesquisa nem sempre oferece pistas claras. "Há um consenso entre os especialistas de que cânceres com correlação hormonal (de mamas, próstata ou ovários) têm peso considerável nesse levantamento", afirma Barbosa. Mas a ocorrência de câncer de mama nas famílias do pai e da mãe do paciente deve ser levada a sério como indício.

Tratamento

Após a mastectomia, é feita uma biópsia do tumor. Com base nesse resultado, é determinado o tratamento a ser seguido: a hormonoterapia ou a quimioterapia. "Ambas são paliativas, embora venham apresentando resultados melhores a cada dia", observa Barbosa, acrescentando que o controle de reincidência começa nessa fase. "O paciente deve fazer um controle sintomático constante."

Dores nas pernas ou na coluna por mais de 24 horas ou falta de ar devem ser informadas rapidamente a um médico. A explicação para esses sintomas é simples: as células cancerígenas quando começam o processo de metástase atingem primeiro os pulmões, pela proximidade do órgão com a mama. E as dores nas pernas e coluna são causadas pela preferência - ainda inexplicada pelos acadêmicos - que as células cancerígenas têm por se instalar em ossos longos.

Entenda a doença

O câncer é uma célula qualquer do corpo humano que, por uma questão genética ainda desconhecida, começa a agir de forma prejudicial ao organismo. De acordo com o mastologista Edison Mantovani Barbosa, do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC), "numa analogia simples, é como se a célula se 'rebelasse' e começasse a agir de forma diferente daquela para a qual foi programada. Como várias células, ela se reproduz, e as células originadas também são rebeldes. É comum que cada uma dessas novas células atue de forma diferente, daí a diversidade e a grande dificuldade de tratamento para os diversos tipos de câncer."

Serviço:

Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, Av. Alcântara Machado, 2576, zona leste de São Paulo, telefone (11) 6099-3999, site www.ibcc.org.br.




On October 12 2006 21 Views





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