Elephant
Um filme de Gus Van Sant
Estados Unidos, 2003.
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Antes de qualquer coisa, é importante esclarecer o título desse filme que remete a uma antiga parábola budista, na qual vários homens cegos examinam um elefante com o tato. Cada homem apalpa uma parte do animal, mas nenhum deles consegue descobrir qual é a sua natureza. O homem que toca a tromba, por exemplo, fala que o animal se assemelha a uma corda, a um troco de uma árvore e até mesmo a uma serpente. A moral da história é que o fenômeno não pode ser compreendido a partir de visões parciais.

Gus Van Sant retrata nesse filme os acontecimentos rotineiros em uma High School americana. Os alunos chegando na escola, se encontrando com os colegas, conversando, caminhando pelos longos corredores, entrando nas salas, jogando, fazendo piadinhas... Tudo na maior normalidade cotidiana. As longas tomadas e os planos que se sobrepõe, mostrando a mesma cena pelos diversos ângulos que seus personagens lhe oferecem chegam a irritar. Mas é justamente essa lentidão que prende a atenção dos espectadores e deixa-os com uma indagação: "O que será que vai acontecer?".

A maioria dos atores do filme são os próprios estudantes da escola onde se passa a história. Muitos deles foram filmados mesmo antes da seleção, durante as entrevistas de Gus e sua equipe. Seus nomes são os mesmos dos personagens. Isso tudo para passar a maior sensação de normalidade possível.

Algumas personagens ganham mais notoriedade: Eli vê o mundo através da lente de sua câmara fotográfica; Nate e Carrie formam um belo casal de namorados; John tem um pai alcoólatra; Michelle é ridicularizada pelas colegas por ser diferente; Brittany, Jordan e Nicole são as patricinhas que só falam futilidades.

Fora do ambiente escolar, conhecemos então a intimidade de dois garotos, Alex e Eric. Um toca piano, “Pour Elise” do Beethoven, enquanto o outro se diverte com games violentos. Compram armas facilmente pela Internet e planejam o massacre na escola. Que motivos teriam para cometer tal barbaridade?

Inspirado na violência juvenil nas escolas norte americanas, como o evento que ocorreu em Columbine, o filme não apresenta argumentos para tentar entender o que se passa na cabeça desses jovens. Qualquer um daqueles personagens poderia ser o autor do massacre.

Antes de irem para a escola, Alex e Eric tomam banho juntos e se beijam. É a resposta de Gus para o debate que acontece no inicio do filme, onde professores e alunos discutem a possibilidade de se identificar um gay na rua. Gus tenta por um fim nos esteriótipos e mostrar que qualquer um pode simpatizar por um amigo do mesmo sexo. Mas seriam os garotos gays só por terem trocado um beijo? Lembremos da parábola do elefante, onde não é possível compreender o fenômeno parcialmente.

Quando Eric e Alex chegam na escola vestidos com roupas de guerra e armados até os dentes, matam gratuitamente quem aparece pela frente. Eles não demonstram ódio, apenas se divertem com a matança. Tudo parece uma grande brincadeira. Não há motivos. Não há inimigos. É a mais pura banalidade do mal.

O filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 2003. É diferente de tudo o que já foi feito sobre violência nas escolas. É um filme que precisa ser visto.


On May 25 2004 Edit






mirous

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Recife, Pernambuco, Brazil




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