LavorArcaica
6/29/09
“Sai daí, que o moço quer passar...”
“Quero só ver você me tirar daqui!”
Desgosto por desgosto, largaram-se as mãos e cada um tomou o seu próprio caminho.
Começo esse conto pelo fim, sem corpo e sem alma, assim como quem termina um romance antes de se entregar. Da briga do casal, recorro ao vazio para fazer da água o vinho, do pó o homem e do momento a música, de suave melodia. Percorro o tempo que leva uma pausa, semibreve, de um acorde que peça o mi maior e troco indiscutivelmente o gosto do último ruído pelo toque final da liberdade de criação. Porque o fim, meu amor, nada mais é que o começo de tudo.
E assim foi. Largaram-se as mãos, Eduardo e Camila. Eram irmãos. Ele, alguns anos mais novo, empacou na escada do primeiro andar por não querer sair de casa com a família. Não conformado, desvencilhou-se abruptamente de sua irmã esperneando pelo corredor até a ponta do prédio. Pedi licença à menina e subi as escadas. Então vi pela primeira vez o nosso reflexo na tela da televisão.
Me coloquei no filme contigo! O texto era mal redigido, os papéis trocados, o enredo dilacerado. Isso tudo não tinha a menor importância, porque ainda assim estávamos extremamente conectados. Já tínhamos até um pacto de cumplicidade: “Vamos ser felizes para sempre!”, dizia um para o outro, cumprimentando um ao outro com as mãos molhadas de cuspe.
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Os detalhes da cidade, as nuvens do céu, os barulhos dos carros. Cada esforço da beleza de Brasília influenciou minha mudança de rota para a Torre de TV. Logo após te deixar em casa, me dei um tempo para assistir a capoeira de roda desorganizada pela qual você tem pavor. Troquei idéia com algumas pessoas, inclusive com o garoto de uma banca de instrumentos de percussão que me deu a pedra e a vareta que faltavam para o seu berimbau. Isso quer dizer que estamos de volta à "Pátria Amada"!
Beijos, te amo!