12/2/09
Nas últimas semanas sua falta foi mortal. A saudade se fez ainda mais presente pra mim. É terrível assistir os dias passarem assim. Tão cruciais, tão enfadonhos, tão miseráveis.
Você não é a solução para nenhum problema meu. Nós nunca funcionaríamos juntos. Difícil é tentar convencer meu subconsciente disso. A cada toque, a cada imagem, a cada rosto na multidão, a cada brisa no rosto, a cada tom alaranjado do sol... Você se faz cruelmente presente. Cada palavra, cada risinho malicioso, cada expressão, cada gargalhada, cada olhar... Seus olhos. Profundos mas tão nervosamente vagos.
É incrível esse poder de capturar cada momento vivido por nós. Cada detalhe. O cheiro, o sabor, as intenções, os medos, a insegurança e até a precipitação. Cada olhar desconcertante que você me dava. Cada vez que você se desconectava da realidade e parecia estar num tempo distante. Distante demais de mim. Cada vez que você se transformava. Nesse seu método bipolar de querer esconder seus sentimentos e desejos.
Sempre esteve muito claro o seu medo quanto ao risco. O quanto você temia se entregar e o quanto temia perder o controle. Ah, o controle. Você sempre prezou por ter as rédeas muito bem alinhadas a cada situação. Só não imaginava que do meu lado poderia se sentir assim, tão vulnerável. E eu entendo. E respeito. Só meu íntimo que não.
Já aceitei que te perdi. Na verdade, que nunca te tive nem terei. Mas quem poderá convencer o meu corpo disso? Os meus sonhos? A minha pele? E por mais clichê que isso soe, quem convencerá meu coração? De que você nunca poderá alimentar minha fome de prazer da maneira que só você sabe acende-la. De que você nunca poderá me enlaçar em teus braços e só sentir a respiração dos dois corpos exaustos. No one knows. Nem você e seu ego enorme. Nem eu e minha fragilidade enrustida. Nem você com seus discursos ensaiados, nem eu e minhas palavras exageradamente emotivas.
E pra onde levarei esta caixa com nossas recordações? Embrulhei delicadamente cada momento. Cada sentimento. Pacotes separados. Especialmente lindos entre si. Quero te tirar de mim. E tudo o que você plantou aqui dentro. E pra onde levarei tudo isso que construímos? Que lugar estaria longe do meu alcance? Longe do meu coração e livre dos meus olhos atentos? Queimaria tudo isso. Numa fogueira enorme e libertadora. Me faria voltar a viver levemente como antes de você aparecer.
Aparecer... Você apareceu de forma tão imprevisível... Me acordando de um sono profundo, que eu me encontrava a sabe Deus quanto tempo. Perdida em meus devaneios abstratos e dolorosos. Você veio com toda a intensidade e me fez sentir o gosto de cada milésimo de segundo ao teu lado. A instabilidade começou aí. Sabe-se lá se um dia acharei o caminho de casa. Só preciso encontrar a estação certa para te deixar lá e seguir viagem. Se eu não estivesse tão perdida, talvez não demorasse tanto assim. Espero que um dia você indique o caminho. E enfim, me deixe. Pois desfazer-me de você me parece cada vez mais impossível.
Selfish idiot. You’ll always be mine. Não importa quão longe você esteja. Sempre estará aqui. Sempre.