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The Simple Things of Life

martche's photo from 7/3/05
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7/3/05
Para aqueles que não vivenciaram a história da USP, desde 1964, de dentro da então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (que até 1969 congregou a maior parte dos atuais institutos e faculdades da universidade).

Em 1968, parte dos alunos do Mackenzie (que foram defendidos pela então Reitora Esther de Figueiredo Ferraz, outrora Ministra da Educação de FHC), apoiados por grupos paramilitares e protegidos pela polícia, atacaram com tiros e bombas o prédio da rua Maria Antonia, onde funcionava aquela Faculdade, depredando-o e incendiando-o.
(retirado da Revista da ADUSP http://www.adusp.org.br/revista/33/r33a02.pdf)


Aqui vai um textinho da agenda de 2001 que eu recebi do DCE, e que demorei alguns anos para perceber do que realmente se tratava.

"Por estar cercada de universidades, a rua Maria Antônia e arredores era uma região estudantil. Ali estavam a universidade do Mackenzie, a Faculdade de Filosofia da USP, além da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da rua Maranhão, a faculdade de Direito no Largo São Francisco e a PUC na rua Monte Alegre.

Os estudantes reuniam-se no "Bar do Zé", no , na rua Dr. Vilanova, freqüentado principalmente por estudantes da Economia-USP. "O fato da USP reunir uma classe média vinda do interior que trazia o costume do convívio na praça contribuía para o clima de encontro na rua", diz o professor Jair Borin da ECA-USP, morador da Maria Antônia naqueles tempos.

Na época, tal como a bipolarização política na qual inseria-se o mundo, era difícil as pessoas estarem em cima do muro. Havia apenas duas possibilidades e uma delas era a oficial enquanto a outra era ilegal devendo ser exterminada.

No dia dois de outubro, no meio da rua, estudantes secundaristas da União Brasileira dos Estudantes e universitários da Filosofia fazem pedágio para arrecadar fundos para o congresso da UNE, que se realizaria na segunda feira seguinte em algum lugar do estado de São Paulo. De repente os estudantes são atacados com pedradas e ovos podres pelos estudantes do Mackenzie. A briga começa e são três horas de violência até a chegada da polícia. Paus, pedras, rojões, bombas de cal virgem, coquetéis molotov e vidros co ácido sulfúrico cruzam a rua. Vários feridos.

À direita da rua, olhando-se no sentido da rua Consolação, atuava um grupo paramilitar e ostensivo de extrema direita chamado Comando de Caça aos Comunistas, intimamente ligados a alunos do Mackenzie. Além do CCC, ainda havia a Frente Anticomunista e o Movimento Anticomunista. Na USP estudavam 2500 alunos e os grupos políticos atuantes eram a Política Operária (POLOP) e a então extinta UEE.

A reitora do Mackenzie Esther de Figueiredo Ferraz chamara a tropa de choque. O confronto se encerra e os dois lados decidem atacar no outro dia caso atacados.

No dia seguinte, uma faixa estendida entre as colunas da entrada do prédio da filosofia na Maria Antônia foi arrancada por rapazes do Mackenzie, decretando o fim da trégua. Os dizeres eram provocativos: "Filosofia e Mackenzie contra a ditadura". O combate é tão violento como no dia anterior, mas agora com revólveres e carabinas. Um grupo de estudantes da filosofia, ao tentar entrar no prédio da U. M., são recebidos à bala.

Um estudante secundarista do terceiro ano do colégio Marina Cintra recolhia pedras na rua para ajudar o grupo da USP quando foi atingido por um franco-atirador sitiado num dos telhados do Mackenzie. A arma usada foi uma carabina e José Guimarães caiu estendido. Esse fato acirra ainda mais a batalha. O então presidente da UNE José Dirceu pega a camisa ensangüentada do estudante e sobe no casarão da esquina da rua Dr. Vilanova gritando: "mataram nosso amigo...

O poder de fogo do Mackenzie era maior, havia mais gente e o prédio era murado. Os estudantes da USP não tinham chance. O prédio da filosofia já estava parcialmente incendiado quando cerca de 300 estudantes saem em passeata. À frente, José Dirceu levava a camisa ensangüentada do companheiro. A batalha continua agora com a participação da polícia, que chega na região da Maria Antônia e arredores com 240 soldados da força pública, 100 cavaleiros, 50 cães e dois tanques. No começo da noite uma tropa de choque entra no Mackenzie e é recebida co aplausos. Os alunos cantavam o Hino Nacional e eram cumprimentados pela reitora.

Por volta das 21h na USP também é ocupada. Nela ainda se encontravam alguns alunos e professores que redigiam um manifesto sobre os acontecimentos."

Guestbook Comments (3)

amei, martchezinho
:)
to de ferias sim
quero te ver moçoooooooooo

seu tel mudou?

beijocasssss

marcelooooooooooo
respondeeeeeeeeee

Sabe o que é o pior? Ainda tem professores no Mackenzie que defendem o CCC abertamente... Volta e meia se escuta alguém reclamando uma ação desse grupo extremista no campus da Maria Antônia.

Mas isso não é o fim. Quem ouve estes dizeres simplesmente dá risada, concordando, ou acaba fazendo a seguinte pergunta: "o que é mesmo o CCC?"

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