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Marisa Monte entrevista Marisa Monte

Revista ELLE / Maio de 2000 - Marisa Monte


Marisa Monte está lançando disco e, surpresa, um songbook com fotos de sua autoria – que ELLE publica em primeira mão.

A cantora, avessa a entrevistas, concedeu esta exclusiva, em que responde a perguntas elaboradas... por ela mesma

Por Marisa Monte


Acabou o jejum. Quatro anos após lançar seu último disco, Barulhinho Bom , Marisa Monte, 32 anos, está de volta. Este mês chega às lojas seu novo CD, cujo nome ela pretende manter em segredo até o último momento – bem, era segredo muito bem guardado até o fechamento desta edição. Ao mesmo tempo sai um songbook (Editora DBA) que, além das letras e das cifras das músicas, traz o resultado de sua nova paixão: a fotografia. Quase todas as fotos são auto-retratos, clicados com câmera digital, e exibem cenas inéditas de sua intimidade. “Queria mostrar a solidão do artista”, diz Marisa.

Com onze anos de carreira, a moça continua cultivando mistérios. Avessa à imprensa e a badalações, Marisa não gosta de falar publicamente sobre seu namoro com o músico Davi Moraes, filho de Moraes Moreira. E só dá entrevistas quando está prestes a lançar um novo trabalho (o início da nova turnê está marcado para o dia 2 de junho, em Curitiba). Desta vez, ela fez diferente. Em seu apartamento no bairro carioca da Gávea, entrevistou a si própria. Durante 1 hora e meia, enquanto revia as fotos do songbook no seu computador doméstico, Marisa Monte falou a Marisa Marisa sobre o disco que produziu com a Velha Guarda da Portela, Tudo Azul lançado em março, e sobre seus prosaicos prazeres cotidianos. Como sempre, nada de detalhes íntimos.

Para ilustrar a entrevista, nada mais adequado do que Marisa Monte clicada por Marisa Monte. As duas séries de auto-retratos fazem parte do songbook. A novidade é que, pela primeira vez, a musa da vanguarda exibe o rosto literalmente lavado, sem o batom de tom forte que se tornou sua marca registrada.

A cantora avalia assim sua experiência jornalística: “É difícil perceber curiosidades sobre mim mesma, principalmente tentando ver através do olho de outra pessoa. Então eu prefiro responder a algumas perguntas que eu gostaria que me fizessem. Bem, deixa eu aqui pensar em algumas... ”

Marisa Monte – Por que você deu um intervalo tão grande entre o lançamento de Barulhinho Bom e o disco novo?

Marisa Monte – Primeiro porque fiz uma turnê grande. Depois fiz alguns projetos breves, ao vivo, dividindo o palco com artistas como os Novos Baianos, Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Cesária Évora e talvez mais alguns que estou esquecendo. Também produzi dois discos, do Carlinhos Brown e da Velha Guarda da Portela. E todo esse trabalho, embora muito intenso, não tem tanta visibilidade. Mas estou trabalhando sem parar, só que de uma forma diferente, que me permite enfrentar novos desafios e crescer.

Você se sente muito sozinha por causa de todas as viagens, por estar sempre na estrada?

A solidão é um sentimento inerente ao ser humano, apesar de agente se distrair com a companhia de quem a gente ama. Se a solidão faz parte da condição humana, então digamos que eu me sinto sozinha como qualquer outro ser humano... e ao mesmo tempo em uma festa constante.

Em que lugares você gostaria de passar as férias?

No meu quarto, na minha sala de estar, no meu banheiro, na minha cozinha, na copa, na minha geladeira, com meu controle remoto na mão, na minha cama. Viajo o ano inteiro, então a última coisa que quero fazer nas férias é mais uma mala, ir para mais um aeroporto e me adaptar a mais um lugar diferente. Quero estar em casa, onde me sinta completamente à vontade. É disso que eu sinto falta, acho muito saudável!


Que tipo de dona de casa é você?

Sou como qualquer mulher que trabalha o dia inteiro que nem uma doida e tem que conseguir conciliar todos os seus afazeres, inclusive os de casa. Gosto muito de cuidar da minha casa, principalmente quando tenho mais tempo, desde que isso não seja uma obrigação. Gosto de ir a uma feira, de pensar em uma cor nova para a parede, de receber amigos. Enfim, sou canceriana, muito caseira, e interajo constantemente com minha casa.

Você gosta da reclusão?

Saio todo dia e você pode me encontrar, por exemplo, nos sebos da Rua 7 de Setembro; na [ loja ] Modern Sound de Copacabana, comprando e ouvindo discos; nas galerias de CDs usados de São Paulo; em bairros charmosos da cidade; feiras interessantes de hortifruti; tomando suco nas lojas da cidade; em alguma livraria; passeando em algum parque ou alguma praia. Nunca em uma boate com música tecno, lotada de gente.

Como seria seu dia perfeito?

Em uma praia paradisíaca, um lugar maravilhoso, sem telefone por perto. Um dia de sol brando, com muitas estrelas no céu à noite. O importante é estar em contato com a natureza, de preferência com algum livro na mão e um bom papo com alguém interessante.

Qual é seu estilo?

Não dá para definir meu próprio estilo. Quem pode definir meu estilo é quem está vendo de fora... Eu sou a última a querer definir meu estilo. Ele é mutante, livre e não gosta de definições!

O que você acha da crítica?

A crítica é sempre uma opinião pessoal e deveria se chamar, na verdade, opinião ou comentário, assinada embaixo. Vista dessa maneira, acho muito saudável, muito interessante. Só não entendo quando a crítica tem um peso maior do que a opinião de qualquer fã ou pessoa que escute o meu trabalho. É uma opinião que eu respeito, como qualquer outra opinião sobre meu trabalho.

Como começou seu envolvimento com a Velha Guarda da Portela?

Desde criança me acostumei a ouvi-los e, a partir de 1991, comecei a gravar e fazer shows com eles. Gravei Ensaboa com pastoras no Mais , depois gravei Esta Melodia , com a Velha Guarda inteira, no Cor-de-Rosa e Carvão . De lá para cá, temos nos apresentado juntos: eu dou canja nos shows deles e eles dão canja nos meus. Conversando com Paulinho da Viola e com outras pessoas envolvidas com o grupo, soube que existia uma grande quantidade de músicas inéditas. Decidi então fazer uma pesquisa para levantar essas canções e, disso tudo, acabou saindo o Tudo Azul , que me deu grande satisfação.

Qual a importância para você do trabalho com a Velha Guarda?

A importância de criar um público para coisas que foram feitas antes, estimular a memória das pessoas. Para garantir que, daqui a alguns anos, a gente vai estar existindo também.

Por que você decidiu começar a se fotografar?

Nunca tive muito interesse por fotografia como fotógrafa. Sou do tipo que tira foto e deixa o filme dentro da câmera durante um ano e não manda revelar. Ou que deixa o filme pela metade. Mas essas novas evoluções tecnológicas, como as câmeras digitais, facilitaram muito a vida de pessoas como eu. Eu já tinha tido alguns auto-retratos e achei que existia uma grande onda nisso, pelo fato de o meu disco ser muito pessoal. Eu poderia fazer uma extensão desse conceito para a linguagem fotográfica. Daí a idéia de que eu fotografasse todo o material sobre o disco, desde a época do estúdio. Durante três ou quatro meses fotografei vários momentos da minha vida.Mas não sou fotógrafa profissional.

O que você tem escutado?

O disco da Mangueira, produzido pelo Arquivo Nacional [ do Rio de Janeiro ]; o disco Clandestino , do Manu Chão; Bebeto; João Gilberto; Bola de Nieve; Fela Kuti e Femi Kuti – eles são africanos maravilhosos. O Felá, pai do Femi, já morreu. E o Femi está lançando um trabalho que é maravilhoso [ Shoki Shoki ].

Qual a sua relação com o sucesso?

A palavra sucesso vem do latim sucessu , que é sucedido, o realizado. Então, o sucesso que eu busco é a realização do meu trabalho, a transformação e o resultado. Não é exatamente a repercussão que o trabalho venha a ter depois. Repercussão é outra coisa, é apenas uma conseqüência do sucesso. E, quando isso acontece, tem uma realidade interessante, o trabalho aparece bem.





On February 10 2009 145 Views



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Titabelt On 10/02/2009

Adore su definición de ama de casa Jaja, cada vez la admiro más!

Un besotte amor!
Que tengas un lindo día!


=)





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