7/2/09
iluminada por um ceu coberto de estrelas, numa noite quente de verão, ela fechou os olhos, encheu os pulmoes com aquele cheiro a maresia que lhe entrava pela casa e expirou sem pressa alguma e com um leve sorriso nos lábios. voltou para dentro onde o velho gira discos ainda enchia a casa com uma bela melodia que tranquilizava almas e coraçoes desde os dias em que ainda era uma simples e feliz criança. no chao da sala ainda estavam as cartas, as migalhas, as canecas, as toalhas molhadas e as almofadas, mas nem se preocupou em arrumar toda aquela bagunça. dirigiu-se ao quarto, onde ele dormia que nem um pequeno e inocente anjo, e limitou-se a olhá-lo com toda a ternura que se pode encontrar neste nosso mundo. percorreu cada centímetro daquele seu corpo, que para ela era perfeito, com o mais doce olhar e a sua mente foi invadida por uma imensidão de pensamentos, numa questao de segundos. há muito que o seu coraçao tinha congelado, se tinha fechado. há muito que nao se entregava a outro alguem sem medo algum, há muito que não arriscava, com receio de que o seu coraçao se voltasse a partir em mil e um pedaços, e que nao tivesse cura nunca mais. chegou a pensar que o amor nao era para ela, que o melhor era habituar-se a viver feliz sozinha com um coraçao cheio de memórias que nao passariam disso mesmo, memórias. há muito que tinha deixado de acreditar em principes, princesas e castelos; limitava-se a lutar contra os seus dragões e a viver na sua torre feita de pedras e rochas inquebráveis. ela mal podia acreditar mas a verdade era que, um dia, alguem tinha conseguido entrar no seu coraçao, devagarinho e com cuidado, sem o partir. tinha feito os seu medos desaparecer, e tinha lutado contra os dragoes a seu lado.. fê-la acreditar outra vez. e, assim, ela sabia que era ele o seu principe, aquele que tinha conseguido aquilo que ela outrora achara impossivel, que tinha ido até ao fim depois de tantos terem desistido pelo caminho.
o dia começava a nascer, o sol começava a dar os seus primeiros sinais de vida e ela deitou-se ao lado dele. guardou o seu perfume bem dentro de si, num lugar bem resguardado, bem precioso, para nunca o perder. lugar esse que ele pintava com as cores do arco iris a cada novo dia que enfrentavam e viviam juntos. sem pensar sequer no dia seguinte, sussurrou-lhe baixinho: obrigada. adormeceu a seu lado e, pela primeira vez em muito tempo, adormeceu em paz, sem arrependimento de ter por fim arriscado. sabia que ele iria lá estar quando ela acordasse.
so style :P escreves mm bem