Frio, cinza e vazio...
7/12/09
Sinto um vazio no peito. O frio da madrugada enregela meus sentidos. Minhas faces enrubescem com o vento que sopra na janela aberta. Olho para a rua deserta; apenas a noite, com suas estrelas brilhantes e longínquas banhadas pelo brilho da lua, e os prédios cinzentos são testemunhas da lacuna que você deixou em meu peito. E o pior disso, é que minha inconseqüência fez brotar esse vazio.
Meus atos impensados, minha língua ferina e inquieta culminaram meu ser à ruína. Como poderei reconstruir os tijolos e alicerces de uma existência desabada, de uma consciência destroçada, de uma tristeza saturada? E o remorso! O remorso que consome meu pensamento.
Pensamento este, que me corrói por dentro, que espera agir o tempo,
mas sempre volta ao mesmo lugar? E essa secura de vida, vida não-vivida, esse desejo de morte, que vai e vem à própria vontade, acompanhado de medo, de dor e tristeza, que se reúne em meus olhos e desaba em minhas faces, rumo ao peito, num movimento cíclico, que nunca se interrompe? E você, um dia, tentou secar essas lágrimas. e eu retribuí com mais e mais lágrimas, estas, por sua vez, suas, de raiva, decepção e rancor. Me falta coragem para encarar as janelas de tua alma, falar-te com a voz de meu peito, que não quer calar, mas não sabe como se expressar, e que anseia ainda assim, encontrar você e dizer todas as palavras que ecoam agora, neste momento, noite e madrugada afora, neste momento tão meu, frio, cinza e vazio.
Frio sem você! Cinza de tristeza e vazio de mim mesma...