7/19/09
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"A objeção de que o indivíduo, apesar de tudo, não desapareceu inteiramente nas novas instituições impessoais, e de que a individualidade está mais forte e agressiva do que nunca na sociedade moderna, parece desfocada. A objeção contém um grão de verdade, a saber, a consideração de que o homem ainda é melhor do que o mundo em que vive. No entanto a sua vida parece seguir uma seqüência que se ajustará a qualquer questionário que for submetido. Sua existência intelectual se exaure nas pesquisas de opinião pública. E em particular os chamados grandes indivíduos do nosso tempo, os ídolos da massa, não são indivíduos verdadeiros, mas sim apenas criaturas geradas pela própria publicidade em torno deles, ampliações de seus próprios retratos, funções dos processos sociais. O super-homem consumado, contra quem ninguém advertiu mais aflitivamente do que o próprio Nietzsche, é uma projeção das massas oprimidas, é mais King Kong do que César Bórgia. O apelo hipnótico exercido por super-homens falsificados como Hitler, se origina não tanto do que eles pensam, dizem ou fazer, como de seus trejeitos grotescos, que estabelecem um estilo de comportamento para os homens que, privados de sua espontaneidade pelo processo industrial, necessitam de que lhe digam como fazer amigos e influenciar pessoas."
Eclipse da Razão - Max Horkheimer
Imagem : Odilon Redon