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A Intertextualidade em D.Juan: de Molina, Zorrilla e Coppola.

Contexto histórico dos 3 momentos do personagem.

A) D.Juan, personagem do dramaturgo “Renascentista espanhol”, frei Gabriel Tellez, usava o pseudônimo de “TIRSO DE MOLINA”; está contextualizado ao século XVII, quando a obra foi produzida. Época da História Social Européia, marcada pela ascensão dos Estados Modernos, a Reforma Protestante, a Contra-Reforma; garantida pelo Concílio de Trento e dominada pela ideologia “Absolutista dos Monarcas Aristocratas dos Estados Centralizados”, que substitui ao poder descentralizado feudalista. A obra de Molina não é parte do Estilo Estético Literário do Romantismo. D.Juan, escrito pelo frei Diego, contém o espírito romântico, um estado da alma, uma conduta relativista, não uma estética. Vive a sensualidade da Renascença italiana. Almas românticas, marcadas por oposições: Libertinagem / Teologia, Prazer / Dor, Vida / Morte...”... el goce sin medida...” “... Quen tal face, tal pague”.
B) D.Juan, personagem do escritor do romantismo espanhol, José Zorrilla, em 1848, traz os símbolos marcantes dessa estética literária, marcada, pelos: “Movimentos Populares”, “Libertação”, “Imagem sentimental do “Amor Mistério e da Mulher “, a “Subjetividade”, o “Cristianismo”, sob a égide ideológica Histórico - Social da burguesia, uma nova classe no poder, dos sentimentos nacionais, da criação artística, que busca seus heróis, um momento da História, que cristão, terá um Deus que perdoa, amenizador, apaziguador, clemente.
D.Juan: “¡Dios clemente!...”
Dona Inês: “... que el amor salvo a Don Juan”.
C) D.Juan, personagem de Coppola (De Marco, D.Juan), New York, século XX, 1995. Era da globalização, violência, traições, capitalismo selvagem, miséria, injustiças sociais e morais. Instituições totais, amor banal, efêmero, transitório, trabalho e desemprego. Século em que as guerras mataram milhões de humanos. Desprovido de qualquer espírito romântico, caracterizado pela banalização do “Amor”, dominado por uma estética conceitualista e uma literatura urbana “concreta”. Uma religiosidade conflitante entre o ateísmo, e os diversos credos e seitas. O ator John Deep, travestido de D.Juan, vive um surto romântico. Internado numa instituição total psiquiátrica, após tentar o suicídio, perdeu sua amada, é internado num Hospital. Contagia com seu “espírito romântico”, o psiquiatra que faz seu tratamento, Marlon Brando. No decorrer do procedimento, o médico vai questionar-se, ao perceber suas relações pouco amorosas, com a esposa, Faye Dunaway. Essa cinematografia levará a retroação de D.Juan, a uma prospecção da leitura fílmico, onde o “último romântico”, vem resgatar no mundo moderno, o espírito da alma romântica, perdido mo meio de tantas diversidades (adversidades) estilizado na ficção de um personagem surtado. “A cena final da praia, define o conteúdo mágico da narrativa, enquanto o médico e a esposa dançam apaixonados, sob o som da trilha sonora, que ganhou o “Oscar”, de melhor música, D.Juan de Marco parte( solitário ) com sua amada reconquistada( o onírico romantismo resgatado, encontrado).
As diferenças de D.Juan, nos diferentes séculos.

Mais uma vez a intertextualidade das três narrativas, conduz diferentes abordagens do personagem D.Juan.
Obedecendo a um processo “diacrônico”, teremos no personagem de Molina, o espírito da renascença, a alma romântica, uma abrangência do imaginário, uma conduta relativista, fruto da conjuntura dos conflitos religiosos e políticos, o Renascimento se limita, encontra barreiras. Difere-se do estilo estético literário (Romantismo). O personagem vive as oposições da sensualidade e do castigo. A dicotomia entre o prazer e o pecado, morre na trama, condenado pelo sobrenatural divino, mitológico” ( a estátua e suas mãos ), por ter burlado os limites, da ética, que domina o contexto Renascentista, do século XVII.
Quanto ao D.Juan Tenório, de Zorrelli, personagem o do Romantismo Europeu, do século XVIII(a segunda metade) e XIX, suas características estilísticas na “Arte e Literatura”. Que vão diferenciar essa obra, com conceitos onde predominam o sentimento e o criador ou imaginativo, uma liberdade de criação, uma ruptura con razão e o racionalismo. Os novos ares burgueses e os movimentos populares e o sentimento nacional, ainda sob a égide cristã, mas agora seu Deus, ameniza, apazigua, modera, D.Juan Tenório é perdoado pelo divino, salvo pelo amor, para ficar ao lado de Dona Ines.
Em Coppola, seu D.Juan de Marco, vive um personagem, do século XX, na tentativa de resgatar a “alma romântica”, perdida nos conflitos de um período tão complexo, sua “loucura” contagiará o ambiente em que o filme transita, consegue, ao final seu intento, ao reencontrar o elo do espírito romântico, nos braços do casal, médico/ esposa, um casamento perdido, reconquistado pelo inebriante contágio do amor .
Portanto vemos que o eixo da intertextualidade será o amor e as suas diferentes abordagens, nos diferentes contextos que transitam os personagens de D.Juan.
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On June 07 2010 134 Views



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Manu_negra On 07/06/2010

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http://www.youtube.com/watch?v=_rsyr4mFKFk


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Manu_negra On 07/06/2010

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la fascinación para D.Juan...

¿para esperar horas y horas... el frío ácido en la espina / yo esperaré... quién ella sabe que y vendrá me dirá amor de la mañana bueno... la mañana buena / los templos y las tormentas me rebajaron / mojado continuó al confíe la mitad... ella vendría... vendría / quizá de manos dé sudado nosotros caminaríamos... dónde nosotros entraríamos nuestro destino? ¿para las calles desnudas mojadas o ya naciendo del día / habría el brillo del sol seqúenos y húmedo mi boca la besaría... el amor / diría el amor de la mañana bueno... la mañana buena / el dolor lumbar persistiría... mi cara sonrió o lloraría / cierre con llave por sus hábitos / sepa yo supe... lo que no había tenido una mañana buena / a pesar del peso de los retrasos / yo soy yo o usted eso adoraría un amor de la mañana bueno... soñaría... ese día para llegar / el amor de la mañana bueno de mi vida... usted sería? ¿usted sería mi mañana buena? y que pensaría en mí... pensaría el amor de la mañana bueno... la mañana buena..
( Vitor De Paez )

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Manu_negra On 07/06/2010

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a história é subjetiva? Como o subjetivismo passou a ser a marca do Romantismo?


À primeira vista, na primeira leitura, sempre seremos duvidosos, embora o subjetivo, seja integrante da visão de mundo do autor, do leitor, espectador, crítico, etc... O que nos torna adicionados a um contexto histórico-cultural, presente na relação entre o subjetivo e o coletivo, entre meio e fim, é concernente aos discursos do real e do imaginário, da razão e do indivíduo. Mais uma vez a semiose aparece, como motor das interpretações, signos gerando signos, portanto o subjetivismo da interpretação da história, variará, na medida em que geramos novas questões sobre o que nos é apresentado como história. Os pressupostos apresentados renderão novas interpretações e novos subtendidos, mas o enunciado será único, intocável.
O subjetivismo passa a ser um traço marcante do romantismo, ao romper com a razão, com o racional, regional, determinante do mundo clássico, para dar ao indivíduo liberdade, sensibilidade, imaginação em sua “Estilização estética”, quer nas artes ou na literatura. Será um movimento do indivíduo (subjetivo) que se transforma. Característica básica do Romantismo. Não mais um relativismo imposto pela razão, ideário “da alma/ espírito romântico”.

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Manu_negra On 07/06/2010

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Toda a fantasia dessa trama do cinema não existe, mas o “espírito romântico” é uma busca concreta do abstrato, que no filme é reconquistada na cena final, quando o personagem parte com sua amada (figurativa da alma romântica), deixa suas marcas no médico e na esposa, dançando apaixonadamente. Esse espírito que a humanidade busca reconquistar, Conseguirá?

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Manu_negra On 07/06/2010

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A literatura, a Arte, o cinema, a Fotografia, trabalharão com elementos ficcionais, que reproduzem a visão do autor, obra da realidade que o cerca, ou um dia existiu ou imaginou-se que existirá. Nunca verdadeiramente “ela”. Isso é o sonho, sonhar... Enquanto compramos “sonhos”, ao comprar o bem estar, ao procurar adquirir conhecimento, quando trabalhamos, educamos, lemos, comemos, quem pode! Vivemos a realidade, que nos adota e nos domina, e serão nossos embates ou identificações. Será essa fenomenologia dialética que gerará os sonhos, imagens no inconsciente, figuras significativas do real; do dia a dia da nossa história, da nossa cultura ou de outras que interagimos.
D.Juan de Marco, personagem de Coppola, assume na narrativa do filme um personagem do “mundo fantástico”, que vive em conflito com as realidades usuais ao século XX, em New York. É um rapaz que imagina ser D.Juan. Veremos que o autor usará a figura do “D.Juan" da nossa era, como o arquétipo do “espírito romântico”, que surge para reconquistar essa “alma romântica”, desaparecida num mundo real e conturbado, por conflitos de uma conjuntura tão complexa apesar de global, desarticulada, fria, calculista e mecânica.

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Manu_negra On 07/06/2010

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O filme, uma realidade ou um sonho...

O pensamento é imagético, isto é, se faz através de imagens em nossa mente, ainda não signos, sinais, querem falados ou escritos, ou em outras linguagens, revelam, propagam uma semiose, signos gerando signos, até os do inconsciente, oníricos, dos desejos, do “eu único”, contido, explosivo, que destrói e constrói vidas...
Preenchidos em seus subtendidos, implicitamente, pelo contexto histórico e social, não importando épocas, arquétipos de um genoma psíquico. Pode-se sonhar acordado ou dormindo, pode-se ser irreal na realidade. Essa dialética, entre o “eu” e o mundo que nos rodeia, geram o espetáculo da vida humana, seus prazeres, suas contrições, seu amor, seu ódio. A possibilidade entre o concreto e o abstrato, entre D.Juan e o que envolve, são fantasias da ficção, embora sendo diálogos do nosso inconsciente, inimigos da “razão’, que representam o mundo, vivido, ou a se viver. Freud, na sua “Teoria dos Sonhos”, aborda essa característica do que é sonhar e suas conseqüências no real, e vice -versa. Já Marx aponta, em sua metodologia histórica, que o real é fruto das reproduções das relações produtivas, dos conflitos entre explorados e exploradores.

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Manu_negra On 07/06/2010

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Finalmente é feito o equilíbrio histórico – social, do personagem e do fílmico (narrativa do autor).

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Manu_negra On 07/06/2010

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Os elementos necessários a acrescentar na história, para o personagem encontrar o seu equilíbrio histórico – social.


Sabe-se que o espírito da alma romântica existe em qualquer contexto histórico – social, mas o D.Juan, da Literatura característica do Romantismo, tem que se situar nos modelos da sua estética, abrangente, criativo, individual, na sua cultura folclórica, não apenas sentimentos determinantemente regionalizados, algo que o liberte das amarras da razão e da “prisão”, do momento racional libertando-o para a sensibilidade da criação pessoal.
No caso do filme de Coppola, o personagem, elemento prospectivo do filme, retroage ao passado da alma romântica, da sua fantasia de D.Juan. Ferido na sua vida adversa, sem encontrar a sua imaginada amada, que só adquire a consciência, que em pleno século XX, ela, a alma romântica, fugiu, perdeu-se na imensidão do mundo globalizado, e só será encontrada no triângulo, “médico - paciente – esposa do médico”, que vai descobrir essas marcas do equilíbrio histórico – social, na medida em que todos embarcam nessa viagem da imaginação, rumo ao resgate do espírito romântico, que surge no momento de sensibilidade, “da dança do casal na praia paradisíaca”, do sonho realizado; aí o personagem dissolve-se na imaginação, parte com seu romantismo reencontrado, que na realidade é agora parte do mundo do casal, Brando & Faye...

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Manu_negra On 07/06/2010

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As características românticas encontradas na história de D.Juan. Poderíamos dizer que essa obra pertence ao Romantismo ou apenas apresenta o estado da alma romântica?
Nessa viagem pelos ‘D.Juan’s”, teremos que notar que algo se diferencia em cada D.Juan, um percurso entre “o estado da alma romântica”, o modelo do “movimento estético literário do romantismo”, e a procura de “algo perdido esquecido no baú do imaginário”. Três diferentes contextos:-Molina O relativismo do estado da alma romântica, regional, idealiza a realidade, portanto esse espírito encontrar-se-á, em qualquer parte da vida humana, mesmo que proibidos, escondidos ou destruídos. Até no sonho e na ficção de um conflito de contexto, como no filme de Coppola. Mas no caso de D. Juan Tenório, de Zerrillo, esse personagem transmite um estilo estético literário, uma marca de época, na estilização das artes e das letras; aí encontrará sua realização como indivíduo, que não morre, vive marcado pela presença da subjetividade e não mais da razão, embora ainda seja cristã, não mais condena, nem aprisiona, perdoa e liberta, no apelo à imaginação. É um movimento transformador no mundo, não um puro sentimento regional.



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Manu_negra On 07/06/2010

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o perfil psicológico de D.Juan de Marco, descontextualizado historicamente.

O personagem vivido por Johnny Deep, travestido de D.Juan, em pleno século XX, 1995, em Nova York, com tudo que a cinematografia moderna permite, máscara, luva, etc... Para integrá-lo à narrativa fílmica.Vivendo um suposto conquistador de mais de "mil mulheres”, decide se matar porque sua amada o rejeita (fique claro que a amada, é a inexistência do espírito ou da alma romântica), em tal época perdida, fugitiva. Sua missão é resgatar tal espírito, e por aí se fará à narrativa de Coppola. Entre a dialética: real/ onírico. A verdade nua e crua do hospital psiquiátrico. Uma triste vida sem sentimentos, fria, em que vivem os personagens, e o sonho de procurar nesses escombros de vidas, o sentimento romântico perdido...
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