11/21/09
A obesa da Desespero deveria estar tendo momentos piegas em sua caverna. Nada a atraia e nem mesmos as elouqüências semanais a deixavam agitadamente emburrada. Ela precisava de mais ação. Lembrou-se de uma cliente, a qual era sua predileta em certas ocasiões. O motivo da preferência? Essa menina não sabia o momento certo de gritar quando estava desesperada, ela apenas gritava. Desespero adorava isso em um ser humano. A surpresa. O agito. As vontades reprimidas. E claro, o desespero ao extremo.
Lá andava Alice com seus amigos, indo para mais uma festa noturna. Ela andava tranqüilamente e contava os minutos para entrar no pub e dançar como se não houvesse um amanhã. Estava com suas botas prediletas, seus amigos conversavam alegremente e nada poderia dar errado.
Eles entraram. Eles pagaram. Eles beberam. Eles dançaram. Eles socializaram. Eles fotografaram. Eles beijaram. Eles brigaram. Eles... Gritaram. Gritaram as músicas que estavam sendo tocadas, mas Alice estava exclamando outra coisa. Um pedido talvez. Na verdade era outro ataque.
Quando pequena, Alice sofria do Ataque Sem Sentido. Uma repulsa sem estudo, uma doença nada comprovada, um psicológico reprimido, um grito. Ela parava em um lugar, reparava ao redor, olhava atentamente para pequenos detalhes e não gostava que a tocassem nesses momentos. Tudo era dela. O lugar, os objetos, as pessoas, os olhares, o seu corpo. Tudo pertencia a ela e nada era dividido, até ela gritar. No meio da festa, ela sentiu que aquele ataque estava voltando mais uma vez e uma vontade de empurrar lágrimas queria ser colocada em prática, mas ela não deixaria. Sentou em um lugar nada estratégico e lá ficou calada. Até ser tocada.
Talvez fosse outra doença. Alice nunca gostou de receber beijos na bochecha, era frígida no sexo e não gostava que a tocassem sem permissão. Sair abraçada por outra pessoa em fotos? Impossível, a não ser que a abraçassem rapidamente.
A tocaram. Um toque, de leve. Quando percebeu já havia batido na pessoa que estava atrás e saira correndo, estupidamente cega e surda. A garganta estava rasgada de tantos arranhões, que atormetavam enquanto as lágrimas não fossem liberadas. Esbarrou no segurança, não se despediu de ninguém e chutou um muro. Porém, o ataque estava sendo tão grande que ela não resistiu quando viu aquele carro. Nào sabia de quem era, o que estava fazendo ali, não enxergou a cor e não pensou antes de começar a chutá-lo. Forte, assim como a sua adrenalina. As lágrimas começaram a sair abusadamente. Elas estavam sendo desobedientes. Cada chute equivalia a uma lágrima, até ela se tocar do que estava fazendo. Parou de chutar o carro e sentou.
Desespero sorriu preguiçosamente. Sua cliente continuava a mesma. Mesmo com os anos passando, os lugares mudando e sua imaginação crescendo, Alice jamais deixaria esse desespero de lado, porque ela nunca o colocava pra fora. Alice deveria se assumir como ser humana. Assumir que sofre, assumir que chora, assumir que pode ser capaz de gostar de alguém, assumir pequenos sentimentos que todos os humanóides bobos possuem. Enquanto isso não acontecer, Desespero continuaria a tendo como cliente especial. O melhor de tudo? É que Alice gosta de Gritar e quando as pessoas perguntam o que estão acontecendo ela simplesmente reponde: "Eu não sei".
Desespero sorriu de novo e chupou mais uma cerejinha de chuchu.
Um motivo pra beber hoje:
deixei os tecidos na Iuiu!
Vontade:
queria ter experimentado a sensação de sair rodando na rua após saltar de um carro em movimento. De nada mais sei.
picA.: minha parede salmão (feiosa) de fotos.
e óbvio que meu sorriso não é assim, bonitinho que nem chiclet's.