Meu querido, há uma égua a solta pelas ruas de meu bairro, sem rédeas, com uma corda arrebentada. Sem rumo, levada pelas ruas e pelo asfalto quente... A correr perigo e risco calculados. Um homem sentado à altura da enchente, no batente em frente à sua casa a observa, com seu usual chapéu panamá.
Há uma noiva ensanguentada no provador e, na vitrine da loja, uma bulímica acenando aos carros passando na avenida lotada, trânsito, acidentes, falhas mecânicas, desamor.
Eu estou em um deles fumando um cigarro preto, ouvindo house music no último volume (para lembrar do sul) e ignorando cada olhar repreendedor de motociclistas e bombeiros que passam por mim.
Meu querido, eu já não ligo mais pra você, nem pro seu teatro de felicidade à beira da king áspera e do copo de água com adesivo do batman: Infantil.
Meu querido, eu esquecia você enquanto atravessava a sala em L pela última vez e bati a porta da frente , a prova de escândalos e com todos os estímulos para a minha Síndrome do Pânico.
Naquele elevador ninguém mais sabia o seu nome. Quem é você?
Eu, a boca, o espelho já não somos mais os mesmos. Rejuvenecemos seis anos, até os nossos vinte e dois, descendo aquele elevador.
E este passado, meu querido, já não inclui mais você.
uia minha casa ali
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