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INCLASSIFICÁVEIS

Ney Matogrosso apresenta o show Inclassificáveis no Festival Internacional de Londrina

Na segunda noite seguida de apresentação, Ney Matogrosso não poupa energia e contagia público.


O ano é 2008, o mês é junho, o dia é 19. Assim, com toda essa relevância, deve ser tratada a data do segundo dia do show Inclassificáveis, de Ney Matogrosso em Londrina, ao menos para os que ali estiveram presentes. O show fez parte do Cabaré (programação musical) do Festival Internacional de Londrina, que se iniciou no dia 4 de junho e terminou no domingo do mesmo mês, dia 22. Se o que começa o texto demonstra indícios de possível exagero, é porque essa é a sensação que se tem ao assistir tal apresentação. Como diz Caetano Veloso em Podres Poderes: “Mas tudo é muito mais...”, assim é ver Ney Matogrosso, no alto de seus 66 anos, esbanjando juventude e sensualidade, em uma apresentação recheada de belas composições.

O show, marcado para as 23 horas, não atrasou um minuto sequer, o que demonstra respeito do artista pelo público que o admira. É nesse momento que Ney Matogrosso surge exuberante no palco, com figurino de Ocimar Versolato que trabalha com o cantor há 10 anos, para entoar O Tempo Não Pára, sucesso de Cazuza que parece desgastado, mas que se renova na voz do intérprete. Logo após, o frenesi inicial dá lugar aos versos calmos e profundos de Mal Necessário, que intenciona provocar dizendo sê-lo homem, bicho e também mulher, música de disco antigo de Ney que agora volta ao novo trabalho.

E é no caminho do pop rock que o show prossegue, onde até mesmo o samba soa nesse tom. Inclassificáveis é vibrante, ácido, jovem. Ney opta por um setlist mais ou menos fixo, seguindo a seqüência do registrado em cd e adicionando outras músicas ao repertório, e a coisa pega fogo de vez quando o cantor se deita no sofá disposto no palco com seus acessórios, para de forma despudorada – o que lhe é natural nos shows – revelar sua segunda camada. Uma roupa tão justa quanto a primeira, em cor de pele, toda “tatuada” em motivos indígenas, dá impressão de mostrar o artista nu. E é então que Ney Matogrosso, que mais parece uma entidade, um ser extraterreno, desce do palco para se misturar ao público e demonstrar que estamos todos no mesmo nível, e que esse ardor por vida, essa porção de loucura sadia, só há de fazer bem.

Confirmando a importância dos grandes intérpretes, posto deficiente há décadas no país, ouviremos a voz de Ney dar vida a composições tanto inéditas quanto nova roupagem a trabalhos já conhecidos, estão entre eles Ouça-me (Itamar Assumpção), Ode aos Ratos (Chico Buarque e Edu Lobo), Um Pouco de Calor (Dan Nakagawa), Veja bem, meu bem (Marcelo Camelo), Inclassificáveis – música que batiza o disco (Arnaldo Antunes) - e outros mais. A banda que o acompanha foi montada especialmente para este trabalho. Faz parte dela Emílio Carrera, que já trabalhou com Ney na época de Secos e Molhados tocando piano e teclado e agora também faz a direção musical. Um dos destaques da banda é Junior Meirelles, que toca guitarra e participa dos vocais.

Ney sabe da ação complexa do tempo e deixa clara a intenção em não escondê-la ao cantar os versos de Lema (Lokua Kanza e Carlos Rennó): "Não vou lamentar/ A mudança que o tempo traz, não/ O que já ficou pra trás/ O tempo a passar sem parar, jamais/ Já fui novo, sim/ De novo, não/ Ser novo pra mim é algo velho/ Quero crescer/ Quero viver o que é novo, sim/ O que eu quero assim/ É ser velho". E, quase no final do show, para passar o recado de que a vida está aí para ser realmente vivida, vamos ouvi-lo recomendar que É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte, em Divino Maravilhoso, de Caetano e Gil. O show é encerrado com Pro Dia Nascer Feliz (Cazuza) e a satisfação parece geral, pois não se vê nenhuma face descontente entre as mais de 1700 pessoas que se apertaram na casa que sediou o Cabaré. Não que o espaço fosse insuficiente, o que aconteceu foi o desejo de estar o mais próximo possível do ídolo que se renova a cada trabalho.

Lucas De Large




On June 20 2008 1811 Views



Avatar tamao_chan

Tamao_chan On 18/07/2008

adoro o ney...principalmente na época dos Secos e Molhados, tenho cd e tudo, as músicas são lindas e divertidas, recomendo..
bjo!!
:D




lucasdelarge

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