7/7/09
Os ventos fora da estação costumam trazer surpresa, eu quase posso sentir o perfume dos campos que estão muito distantes da minha janela, as flores de lá cheiram sábado de manhã, e eu não trocaria o entardecer da minha janela celada por nada. Ver o choque das luzes ao final da vista, se misturando as nuvens tímidas que passeiam sobre as árvores das montanhas, pode imaginar isso? Ver amarelo se tornar laranja quase instantaneamente, ver o vermelho se tornar negro, como as primeiras manchas da noite nas fendas dos galhos. Eu poderia atribuir tantas canções, inúmeras letras e várias vozes enquanto deslumbro tardes como essas... dificilmente eu lembro de sentar aqui e olhar pra isso, dificilmente eu estou exatamente onde eu queria estar, pra apenas olhar, me sinto tão insignificante e pequeno daqui, me sinto mal por não poder ir até lá, por não poder tocar, mas logo penso que... se ninguém toca, mais belo e mágico isso é, a paixão está no segredo, no mistério e na instiga, quanto mais fixo meu olhar se torna, maior fica a curiosidade da minha alma, curiosidade em descobrir algo maior do que o material, descobrir a essência e as respostas, porque se as perguntas movem o mundo... as respostas nos fariam voar... o negro abraça o laranja que agora é vermelho, dando espaço as luzes e o brilho da noite, suave e agradável como uma noite de outono. Não sei porque insisto em traduzir magia em palavras, é definitivamente impossível passar o calor e a vida que meus olhos sentem ao ver tudo.