Luis Aquariano Lisboa / Portugal msn: loucartis@hotmail.com. Ligado à área artistico/cultural ( Um saltimbanco e vendedôr de sonhos )
“Entre o vento e a navalha escolho o vento”. E com o vento partilho tudo quanto ganho: lingotes de ternura, amigos, coisas simples, liberdade. É minha a casa de água onde me oiço cantar, mas é de vós a voz e o próprio canto. Nasci em Ninive mas conheci Vergilio, que a vós vos conheceu também; a esfinge viva presioneira do sol, oferecia-a a Da Vinci, foi Gioconda, com o sorriso de um poeta rouxinol. De Ginsberg, veleiro de heroína, recebi uma carta a abarrotar de versos com o selo de Nabucodonosor. A melancolia do cisne agarrou-se aos poemas como a luz do sol as paredes de Florença. Williams, Ferlinghetti, trocando impressões com Whitman, beberam em maravilhosos copos, os mesmos que Villon havia atirado contra o chão. Shakespeare viaja quase sempre só, podem encontra-lo nas melhores salas europeias, vestido com o rigor do canto das cigarras, procurando ver dentro dos homens como Camões e Dante. Fui eu quem entreguei toda a correspondência de Neruda, fui eu que por noites e noites ouvi falar Verlaine um pouco irritado com o riso de Rimbaud. Em vosso nome, desculpem-me, incentivei Aragon a resistência, bebi de Eluard as mais pequenas e as maiores pérolas que a liberdade criou, e saudei Cervantes e Cesário. Obrigado David, obrigado Amigo. E também eu “não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada”, mas será sempre minha a escolha, ofereço-a, dedico-a a vós que me podeis escolher ou rejeitar. Disse-me Borges que não poderia nunca tirar as minhas lágrimas e troca-las por outras. “Mesmo que seja so de passagem, essa e uma brisa que te renova” E com o vento partilho tudo quanto ganho: lingotes de ternura, amigos, coisas simples, liberdade. (Joaquim Pessoa)