Sábado, 13h, sol quente. Eu com dor de garganta, tossindo loucamente e indo trabalhar. Passei na Araújo do Belvedere pra comprar remédio e uma pedinte estava com o bebê no colo na porta. Quando eu estava entrando na farmácia, ela soltou:
- Moço, compra um pacote de fralda pra minha filha?
Nesse momento me subiu um ódio. Uma raiva não só dela, mas de tudo que me desagradava. Aquilo era um absurdo! Minha vida toda errada, eu indo trabalhar em pleno sábado de sol, doente, dentro de um shopping cheio de gente louca e ela lá sentadinha com aquele neném no colo, esperando que as pessoas passassem e dessem o que ela precisava, querendo que eu pagasse uma fralda pra ela com o MEU DINHEIRO suado?
Balancei a cabeça freneticamente e respondi, num tom seco e agressivo, com os olhos arregalados:
- NÃO!
Mas a minha raiva não tinha passado. Eu queria xingar mais. Continuei na minha cabeça: “Espero que seu neném cague em você toda, cague na sua cabeça, cague em você inteira! Mas o meu dinheiro você não terá, sua folgada, vagabunda! Vai trabalhar. Levanta essa bunda do chão e vai caçar serviço, preguiçosa! MORRA! Desejo que você MORRAAAAAAAAAAAAAAAAA......
Ultimamente eu admito, ando mau-humorado e rabugento. Mas o que tenho aprendido é me dar o direito de ser quem eu sou e sentir o que eu sinto. Uma vez me falaram pra parar de tentar ser perfeito, e é isso que eu to fazendo.
A gente vive em um mundo muito grande e cheio de regras e modos. Um mundo cheio de desejos e fórmulas. O que eu quero agora, é filtrar as coisas que eu realmente desejo de dentro de mim, daquelas que me foram inoculadas pelo mundo ao meu redor.
Eu só quero ser eu. E sentir as coisas sem culpa.
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