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11/16/09
Mephisto: O Mal é a única virtude humana, meu amigo. O Bem não existe... Ou, então, é o próprio Mal que é o Bem. Bons são os santos que são fictícios. Bons, são os inofensivos, que são os paralíticos e os cretinos. A bondade é uma figura retórica inventada por hipócritas... A felicidade está no prazer, e isto é a frase dos sábios mais sublimes do teu século. O prazer é um estado mórbido, é um mal... Só os insensíveis são naturais e conscientes. Perdoa os paradoxos, que são também uma novidade do teu século. São uma novidade e uma necessidade, porque a vida e os sentimentos atingiram a uma tal orgia de aspectos, que só o paradoxo é capaz de sintetiza-la. Eu posso baralhar a minha teoria, mas a culpa é ainda da cultura moderna que me encheu desse mau costume, dificultando a exposição das coisas mais simples. Enfim, quero dizer que o Mal é positivo, e que todo Bem é negativo, parodiando Shopenhauer...
Fausto: Quer dizer que toda a dor é um prazer?
Mephisto: Quero dizer o contrário, que todo prazer é uma dor. Ambos são elementos consubstanciais do mesmo todo. Exemplo: Tu... qual é o teu prazer na vida?
Fausto: A minha arte!
Mephisto: E a tua dor?
Fausto: Não conseguir realizar a minha arte!
Mephisto: Retórica! Não conseguir realizar a sua arte, é ainda um sentimento dessa arte... é essa arte em si mesma. A arte que te dá prazer, é aquela que te dá dor. O motivo é dialético (...)
Renato Vianna.
paralisia.