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Post de @rodrigosmile
Antes de mais nada, obrigado ao público pelo show de ontem no 4YouClub. Foi um excelente show de despedida!
Isso aí, amigos, despedida. O Leroy não vai mais tocar junto como banda. É uma decisão difícil pra mim depois de 7 anos tocando por aí com o Leroy não mais fazer parte dessa banda, mas creio que tudo que tem um começo, tem um fim. Em 2008 a banda anunciou um fim, mas depois de uns meses, resolvemos voltar. Eu mesmo não havia me convencido que já tínhamos chegado a um limite. Foi uma decisão acertada, gravamos "Sarah" e "Innamorata", duas boas músicas na minha opinião. Mas depois de feito isso, eu não tenho mais a intenção de continuar. Não houve tretas, não houve problemas, nada. Os caras são e serão sempre meus amigos. O que mais me incomoda são questões externas à banda.
Infelizmente, o cenário musical de hoje exige que as bandas façam "concessões" para estarem ativas, tocar a guitarra de um jeito, vestir-se de um jeito, cantar de outro, agradar gente desagradável, implorar pra tocar, coisas desse nível. Eu sou uma pessoa orgulhosa demais pra fazer concessões. Não adianta, é essa a pura verdade. Eu não nasci pra ficar bajulando gente idiota. Eu sempre exigi e sempre ofereci respeito a todos, e hoje, o que vemos não é muito uma prova de respeito.
Comentários de "toque no meu show! cotas baixas!" como se a música fosse uma rifa, são comuns, e o público, por sua vez, permanece alheio a isso, e algumas bandas fazem parte dessa leva. Isso pra mim é um crime, eu sou um músico, e eu ofereço meu trabalho, e devo ter reconhecimento por isso, bom ou ruim. Não vou implorar e pagar pra tocar. Isso pra mim, repito, é um abuso, um desrespeito. Mas isso é minha opinião. Se você não está feliz com algo, mude. Eu tentei de muitas formas mudar isso nesse cenário musical que o Leroy faz parte, mas parece que é algo que já faz parte dessa nova geração, muitas bandas não viveram uma época onde o músico era respeitado, convidado, e em algumas ocasiões, pago por apresentar seu trabalho. Todo mundo acha normal vender ingresso de shows como se fosse rifa, pagar pra abrir pra bandas maiores, como se fosse uma honra estar lá. Honra é ser convidado. Honra é ser respeitado. Pagar por algo é deshonroso. É igual pagar pra uma prostituta para ser amado. Definitivamente, não é o que eu quero como músico. Eu tenho minha vida, e amo música, e se for pra gastar algum dinheiro com isso, que seja para prazer pessoal, ao menos. Que seja como aqueles blueseiros antigos, que estão na estrada vivendo bem ou mal da música, mas estão lá, fiéis as suas origens. Sem essa de concessão musical. Sem essa de sacar dinheiro da conta pra tocar 15 minutos.
Por essas e outras razões, deixei claro pro pessoal do Leroy que não quero mais continuar. Eles entenderam, e me apoiaram. Eles continuarão com suas outras bandas. Eu mesmo nesse momento tenho outros planos e outras metas na vida. Nenhuma delas existe o Leroy. Então, é melhor parar por aqui, deixar uma história bacana, com muitos amigos, com muitos momentos mágicos, e agradecer a você, que nos apoiou e nos demonstrou respeito.
Estarei em breve com outros projetos, não sei ainda o que exatamente, mas eu amo demais a música pra virar um cara de escritório. Ou um cara de 30 anos com calça colorida e fazendo happy rock. Rock é pra ser feio, malvado, se for pra parecer um idiota e agradar a mamãe e a titia, não é rock. E parabéns para aqueles que fazem isso de uma maneira honesta, vocês tem que tomar de volta o que é de vocês por direito.
Foda-se a música corporativa, foda-se o pensamento de artista Capricho, foda-se os promotores safados, foda-se as bandas sustentada pelos papais e seus puxa-sacos.
Vão ouvir Motorhead.
A gente se vê por aí. Tomara que num cenário musical melhor.
Peço desculpas pelas palavras fortes aqui, mas isso tinha que ser dito. Se magoei alguém, me perdoe. Não é a intenção. Cada um sabe o que é melhor pra sua banda, pra sua vida.
E eu sei o que é melhor pra minha.
Grande abraço.
Rodrigo Smile.
On August 02 2010
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