Era uma vez...

Juca era um boneco muito querido. Era divertido, bonito, e muito útil. As crianças o adoravam, riam, todos queriam brincar um pouco com Juca. Até os adultos gostavam de vê-lo. Os outros bonecos disputavam sua amizade, não por ele ser um boneco popular, mas pelas suas qualidades de um bom amigo. Juca era um boneco sem dono, gostava de poder divertir todas as crianças. Mas tinha uma criança especial, ela brincava com Juca de um jeito diferente, e Juca respondia de forma diferenten também. O nome dela era Bia. Os outros bonecos nem gostavam de Bia, mas isso não era problema, pois ela só brincava com Juca mesmo. E as outras crianças não gostavam muito de Juca quando Bia estava por perto, mas isso não importava para ele. Depois que Bia ia embora, as crianças voltavam a brincar com Juca, e ele nem lembrava que não era assim quando ela estava lá. Bia era mágica, e sempre tratava Juca da melhor maneira possível, ele sempre pudia fazer o que queria quando estava com ela. Diferente do Cadu, uma outra criança que gostava muito de Juca, mas, uma vez, agiu muito estranho, bravo, falando coisas estranhas com Juca, depois de Bia ter ido. E, umas duas ou três vezes, ele apareceu com uma tesoura, apontando pra Juca, mas nunca o atacou. Juca conseguia sempre contornar esses problemas. Ele também gostava muito de Cadu, e sabia que ele não agia por mal. Só não conseguia entender o motivo daqueles “surtos”, nem as coisas estranhas que ele dizia. Uma vez ele até quase entendeu alguma coisa, mas depois esqueceu. Até que um dia, Bia chegava para brincar com Juca, como sempre, e Juca notou que alguma coisa brilhou nas mãos de Bia. Será que ela trouxe alguma coisa nova? Mas então eles começaram a brincar, e sensação foi a mesma de sempre, suas ações foram normais. Tudo como das outras vezes que brincava com Bia, as mesmas coisas que aconteciam só com ela. Mas aquele brilho deixou Juca intrigado... Então prestou atenção nos gestos de Bia, quando ela estava se preparando para ir embora. Reparou no brilho novamente e, procurando a fonte, finalmente conseguiu encotrar: eram fios, quase transparentes, ou talvez camurflados. Mas por quê serviam? E como ele nunca havia reparado naqueles fios trazidos por ela? Lembrou-se de Cadu, que, em uma de suas conversas estranhas, comentou algo sobre fios, mas ele nunca dava ouvidos pra essas coisas sem sentido que a criança falava. Encontrou-se mais uma vez com Cadu, planejando prestar mais atenção nas coisas que ele falava, mas o garoto não mencionou nada sobre isso, nem as coisas estranhas. Depois de um tempo, encontrou-se com Bia. Ela foi, como sempre, uma criança boa, delicada, para quem Juca queria, cada vez mais, ser o melhor brinquedo. Esqueceu-se dos fios que havia visto da última vez, e brincou por horas suas brincadeiras preferidas com a menina. No fim do dia, quando Bia estava indo embora, Juca sentiu algo puxando sua perna. Parece que Bia também percebeu isso, e, queixando sua desatenção, voltou-se para Juca e retirou da sua perna um fio, daqueles que Juca havia visto brilhando. Na outra ponta do fio, duas barras de madeira em forma de cruz, de onde vinham outros fios. Juca reconheceu aquela estrutura, já havia visto em alguns amigos marionetes. Serviam para que as crianças controlem os bonecos, que agem de acordo com a vontade daquelas... Então era por isso que era tão diferente brincar com ela? E as coisas que fazia com ela, será que realmente queria, ou estava sendo controlado? Será que era isso que Cadu queria cortar, com a tesoura apontada para Juca? Ele nunca teve tanta dúvida. Tudo em que acreditava tinha mudado. E, para piorar, os outros bonecos o olhavam com cara de “eu te avisei”. As crianças continuavam a brincar com os brinquedos, e com Juca, mas ele já não era mais o mesmo. Um boneco livre, que fazia o que queria, que brincava com quem queria, que era tão bom, sendo usado como marionete... A partir de então, Juca nunca mais deixou amarrem fios nele. Não deixou de brincar com Bia. Esta, porém, já não via mais graça em brincar com Juca, e, aos poucos, foi deixando o boneco de lado. Juca continuou a ser querido pelas outras crianças, e percebeu que não precisava de Bia para se divertir, e divertir alguém. Decidiu se empenhar em ser o melhor brinquedo para as crianças que gostavam dele.

FIM

P.S.: Não, eu não sei usar parágrafo.

On May 02 2011 Edit






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  • belohorizonte

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