Trincheiras de Nanquim
4/2/09
A tinta me liberta e me alivia de uma noite que me sufoca e me condena. O papel que não resiste a meus brados se mantém borrado e segue praguejando contra a caneta. Palavras desconexas se unem na batalha travada entre meus pensamentos, e parágrafos se tornam tropas marchando rumo à linha de tiro.
No meio do fogo cruzado assisto cada vez mais meu coração ser manchado, pingando tinta vermelha e sangue preto pelos buracos de bala e o barulho ensurdecedor que não se cala e me deixa cada vez mais apavorado.
Ao escrever deixo meu coração falar tudo o que ele pensa ser importante para eu saber, pois há tempos ele bate apressado e forte, e ouvi-lo se tornou um esporte que minha razão insiste em não querer praticar.
Ao virar a página encontro um novo campo de batalha, pronto para virar o cenário de mais uma batalha entre meu super ego e meus instintos, que apesar de habitarem o mesmo lugar, insistem em produzir sentimentos tão distintos viajando em meus neurônios em forma de navalha.
Fecho o caderno esperando cessar fogo e deixando a paz invadir meu ser, escondo toda e qualquer injúria e sigo em frente colecionando cicatrizes de guerras que não pude vencer. De nada adianta tanta lamúria se um dia todos nós sucumbiremos perante a terra que nos acolherá quente e discreta nos impedindo de correr. Cessando assim um eterno ciclo de entrega - decepção - sofrimento - indignação - indiferença - vazio - entrega...
Calando a voz que grita em silêncio, apagando a tinta que mancha em tom de lamento e paralisando o coração que pinga em sofrimento.
Você voltouuuuuuuuuuuuuuuuuu,saudade!
E como sempre seus textos estão bons demais meu.
Beijão.